domingo, 11 de junho de 2017

Ser mãe solteira já é possível em Portugal

Atualmente qualquer mulher, independentemente da sua orientação sexual e do seu estado civil, já pode recorrer a tratamentos de procriação medicamente assistida em Portugal.

Até aqui só as mulheres heterossexuais, casadas ou em união de facto há pelo menos 2 anos é que podiam ter acesso a estes tratamentos. Por essa razão, muitas das mulheres solteiras ou casais de mulheres iam ao estrangeiro, principalmente a Espanha para engravidar.


A lei foi aprovada em junho de 2016 (pode ver aqui) mas a regulamentação só surgiu em dezembro do mesmo ano (ver aqui). Desde então algumas dezenas de mulheres já recorreram aos centros de Procriação Medicamente Assistida.

Pelo que se sabe, de momento, dada a existência de listas de espera de alguns meses nos centros públicos, estes tratamentos só foram realizados em centros privados.



Existem vários tratamentos disponíveis, mas deve ser o médico a indicar qual o mais apropriado para cada caso. O mais simples é a inseminação artificial intra-uterina com sémen de dador. Este tratamento consiste em fazer uma suave estimulação dos ovários da mulher e em colocar o sémen na cavidade uterina perto do momento da ovulação. A taxa de sucesso por tratamento ronda os 20% e o tratamento pode custar até 1500 euros. Aconselha-se a fazer no máximo 3 a 4 inseminações uma vez que a partir dai as taxas de sucesso não vão aumentar.

Outro tratamento disponível é a fecundação in vitro. Neste tipo de tratamento a fecundação ocorre fora do corpo da mulher pelo que todo o processo é mais controlado. Pode saber mais aqui. As taxas de sucesso deste tratamento variam consoante a idade da mulher e se a mesma tem algum problema de infertilidade (endometriose, ovários poliquísticos, etc.). Poderá dizer-se que as probabilidades de sucesso rondam os 45%. Os custos deste tratamento são aproximadamente 5 mil euros.

Se tomou finalmente a decisão de querer ser mãe, não espere mais tempo. A idade da mulher pode ser um fator decisivo neste processo. Converse com o seu médico ginecologista, pode ser que ele lhe consiga recomendar algum centro de procriação medicamente assistida. Se lhe indicar mais do que um, compare os preços, mas sobretudo compare os resultados que cada um lhe oferece por tratamento. Afinal, se as probabilidades de engravidar num primeiro ciclo forem maiores pode compensar o preço. Boa sorte! E não desanime caso não tenha sucesso na primeira tentativa!


#tratamentospma; #tratamentomulhersolteira; #fecundaçãoinvitro; #inseminação

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Mãe depois dos 40…

Hoje em dia, devido a várias circunstâncias, para muitas mulheres a maternidade chega mais tarde. Ou porque ainda não terminaram os estudos, ou porque estão à espera de maior estabilidade económica ou simplesmente porque ainda não encontraram o parceiro ideal.

Estes são alguns dos motivos pelos quais as mulheres adiam a maternidade. Infelizmente o nosso “relógio biológico” nem sempre está sincronizado com o “relógio pessoal”. E quando o alarme do “relógio pessoal” dispara, por vezes é só depois dos 40 e pode ser mais complicado.

A idade ideal para uma mulher ter filhos é entre os 19 e os 34 anos (podem ver mais dados aqui). Cada mulher nasce com um número limitado de óvulos que vai gastando ao longo da vida. Por volta dos 35 anos, não só vai diminuindo a reserva ovárica (existem menos óvulos) mas também a qualidade dos óvulos começa a piorar pois começam a surgir alterações genéticas. A partir desta idade, não só é mais difícil engravidar como também começam a aumentar as probabilidades de anomalias genéticas nos bebés. Para terem uma ideia, a percentagem de óvulos normais (com os 23 cromossomas) numa mulher com 30 anos é aproximadamente 70%, mas chegando aos 40 anos, apenas 30% podem estar bem.

Creative Commons

A grande maioria das mulheres com mais de 40 anos, que desejam ser mães pela primeira vez, tem que recorrer a centros de procriação medicamente assistida e pedir ajuda de um especialista para engravidar. Existem várias opções de tratamentos mas o médico tem que definir juntamente com a paciente qual o mais adequado. Os tratamentos mais simples (inseminação ou coito programado) podem ser realizados mas é importante que o sistema reprodutor da mulher esteja bem e nomeadamente as trompas não estejam obstruídas. O médico poderá também optar por um tratamento mais complexo, a fecundação in vitro (FIV) que apesar de ser economicamente mais dispendiosa tem melhores resultados. Caso a reserva de óvulos seja já muito baixa, existe um tratamento alternativo que consiste em receber óvulos de uma mulher mais jovem (dadora) e que tem taxas de sucesso elevadas.

Hoje em dia é possível ser mãe pela primeira vez depois dos 40, mas é importante que a mulher tenha consciência que pode demorar algum tempo até engravidar.

Boa sorte! Não desista!
#maedepois40
 #fiv
#inseminacao
#ovulos
#dadoraovulos

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Não desistam dos vossos sonhos ...

Hoje tive a sorte de poder ir assistir a um dos maiores eventos que já passou por Lisboa: a WebSummit. Esta conferência sobre empreendorismo, tecnologia e inovação é a maior da Europa, e reuniu mais de 53 000 pessoas em Lisboa. O evento teve início no passado dia 7 de novembro e termina já amanhã.

Não vos venho falar da conferência em si nem da fantástica organização deste evento. Apenas queria partilhar convosco que assisti à entrevista da atleta portuguesa Patrícia Mamona, a qual achei bastante motivadora.

A atleta falou do seu percurso até chegar a atleta de alta competição, das escolhas que teve que fazer e das dificuldades que enfrentou. Entre outras coisas, mencionou que aos 18 anos teve que ir estudar para os Estados Unidos, onde concluiu a licenciatura em Medicina, pois só ai conseguiu conciliar os estudos com o desporto.



Comentou que havia quem dissesse que ela não tinha corpo de atleta para realizar aquele tipo de competição: não era alta nem magra. Que não valia a pena continuar. Mas para mim o momento auge daquele discurso foi quando se voltou para a plateia com os olhos brilhantes de emoção e disse: "não deixem nunca de seguir o vosso instinto e realizar os vossos sonhos! Os resultados não são imediatos e é preciso ter paciência!”. De facto, a prova da sua determinação são as várias medalhas que já ganhou!

Esta frase, que aliás ouvimos constantemente, impactou-me ainda mais, talvez porque a Patrícia estava ali, mesmo ao pé de mim, e ela era a prova de que o sucesso não vem sem esforço e paciência. Era isto que queria partilhar convosco. Temos que ser persistentes para perseguir os nossos sonhos e muito pacientes! Não desistam! Vai valer a pena!

Tenham uma boa noite!

#websummit; #patriciamamona

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Procriação Medicamente Assistida alargada a todas as mulheres

Atualmente em Portugal os tratamentos de procriação medicamente assistida (PMA) só são permitidos a casais heterossexuais, casados ou que vivam em união de facto há pelo menos dois anos. A nova lei que foi agora publicada permite o alargamento destes tratamentos a todas as mulheres e entra em vigor já a partir de 1 de agosto de 2016.

Para a concretização dos tratamentos ficamos ainda a aguardar a regulamentação da mesma lei que deve ocorrer num prazo máximo de 120 dias.

Fonte: creative commons

#pma; #procriacaomedicamenteassistida; #mulheressolteiras


quarta-feira, 8 de junho de 2016

Promulgação da lei de PMA a todas as mulheres

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, promulgou hoje a lei que permite o alargamento do tratamentos de Procriação Medicamente Assistida (PMA) a todas as mulheres.
Não deixou contudo de expressar as suas dúvidas no que respeita aos direitos da criança nascida através destes tratamentos, pela impossibilidade desta vir a conhecer o "pai" biológico

                Será que vêm ai novas recomendações no que respeita ao anonimato das doações?


Já o diploma da gravidez de substituição foi vetado pelo Presidente da República tendo este referido que se baseou nos pareceres do Conselho Nacional de Ética e para as Ciências da Vida. "Assim sendo, entendo dever a Assembleia da República ter a oportunidade de ponderar, uma vez mais, se quer acolher as condições preconizadas pelo Conselho Nacional de Ética e para as Ciências da Vida, agora não consagradas ou mesmo afastadas", acrescenta o Presidente. (in RTP notícias)

Parece que vamos ter que aguardar mais um tempo para que a Assembleia da República possa ponderar as possíveis alterações. 



#gravidezsubstituicao; #maternidadesubstituicao, #barrigaaluguer

domingo, 22 de maio de 2016

Questionário sobre o blogue. Porque a sua opinião é importante!

Queridas leitoras e leitores,

O blog "O meu Laboratório de Sonhos" vai completar 3 anos no final deste ano. Este projeto foi criado com o objetivo de ajudar a resolver dúvidas sobre infertilidade e apresentar também conteúdos relacionados com a família e as crianças.

Para que este projeto continue a crescer é fundamental a vossa opinião. Venho por isso pedir a vossa colaboração para o preenchimento de um questionário rápido e anónimo sobre o blogue.
Agradeço desde já a vossa colaboração!


segunda-feira, 25 de abril de 2016

Doação de sémen e de ovócitos, porque não ajudar?

Hoje em dia, há muitos casais que recorrem a tratamentos de procriação medicamente assistida mas para que os tratamentos resultem em gravidez, necessitam de utilizar óvulos ou sémen de um (a) dador(a).

Creative Commons Licensing [Flickr, Our 3 Week Old Girl, Jan. 28, 2008]
As razões mais frequentes que levam a que uma mulher necessite de óvulos de uma dadora são a falência ovárica precoce e a idade. No caso dos homens, o fator principal para necessitarem de sémen de um dador é a ausência de espermatozóides no ejaculado.

Atualmente a procura de gâmetas (óvulos ou sémen) doado é superior às dádivas realizadas, razão pela qual, a concretização dos tratamentos demora ainda algum tempo.

Segundo a lei portuguesa, a seleção do dador deve ser feita com base na idade, saúde e antecedentes médicos. Mais concretamente, os dadores não devem ter mais do que 45 anos e as dadoras não devem ser maiores de 35 anos. Já a lei brasileira também estabelece um limite de 35 anos para a dadora de óvulos mas o dador de sémen pode ter até 50 anos.

Está neste momento a decorrer em Portugal uma campanha desenvolvida pela Associação Portuguesa para a Fertilidade (APF) para sensibilizar os jovens universitários para que façam doação dos seus gâmetas. Vejam a reportagem que passou recentemente na RTP1. Com o depoimento de uma dadora de óvulos e de um casal que recebeu óvulos doados.


#doação de óvulos
#tratamentos de PMA

quarta-feira, 9 de março de 2016

DICA DO DIA...

Converse com a sua mãe e pergunte-lhe quando é que ela teve a menopausa. A idade com que uma mulher tem a menopausa pode ser determinada por fatores genéticos. Caso a sua mãe tenha tido uma menopausa precoce, a sua probabilidade de vir a ter também a menopausa antes do tempo normal (46- 54  anos) aumenta. Se for esse o caso, não espere muito tempo até tentar engravidar!



domingo, 6 de março de 2016

Diagnóstico precoce do autismo: os médicos devem prestar atenção aos pais

O diagnóstico precoce do autismo pode ser beneficiado pelo reencaminhamento da criança para um médico especialista, assim que os pais comunicam ao pediatra as suas suspeitas, revela um estudo publicado por investigadores da Universidade de Oregon nos Estados Unidos.

Os sintomas desta doença neurológica podem aparecer antes dos dois anos de idade e o seu diagnóstico pode ser feito até aos três anos. Alterações no comportamento da criança, tais como não responder pelo nome ou não olhar nos olhos podem ser o suficiente para alertar os pais.

Neste estudo, realizado por Katharine Zuckerman e colaboradores do Doernbecher Children’s Hospital Oregon Health & Science University e a Universidade de Oregon, foi observado que existe um atraso no diagnóstico do autismo que pode ser reduzido pela atitude proactiva do responsável de saúde que acompanha a criança.

“Um diagnóstico precoce pode beneficiar não só o desenvolvimento da criança como aumentar a qualidade de vida da família”, refere Katharine Zuckerman. “Mas lamentavelmente, na maioria dos casos, passa muito tempo entre o momento em que o casal expõe ao médico as suas suspeitas sobre autismo do filho, até ao diagnóstico final desta doença”.

Esta investigação baseou-se nos dados de um relatório representativo sobre as vias de diagnóstico e tratamento de crianças entre os 6 e os 17 anos de idade realizado nos Estados Unidos em 2011 (Survey of Pathways to Diagnosis and Treatment). Este relatório compilou dados de crianças com necessidades especiais de saúde e que foram diagnosticadas com transtornos do espectro de autismo (TEA), deficiências intelectuais ou transtornos no desenvolvimento (DI/TD).

Foram utilizados dados de 1420 crianças diagnosticadas com TEA e 2098 crianças diagnosticadas DI/TD. Para a investigação em causa, foi comparada a idade da criança em que pela primeira vez os pais notaram alguma alteração no seu desenvolvimento e a idade em que pela primeira vez os pais discutiram esta preocupação com o profissional de saúde. A atitude do profissional de saúde foi categorizada em proactiva ou tranquilizadora/passiva e no caso da TEA foi feita uma associação entre a resposta do profissional de saúde e os anos que demoraram até ao diagnóstico final.

Os pais das crianças com TEA demonstraram mais precocemente preocupação pelos filhos (quando a criança tinha em média 2,1 anos) do que os pais das crianças com DI/TD (3 anos) no entanto, em ambas as situações, o tempo que levou os pais a comunicarem as suas preocupações aos profissionais de saúde foi muito semelhante. Os pais das crianças com TEA comunicaram a sua preocupação quando a criança tinha em média 2,3 anos e os pais de crianças com DI/TD quando o seu filho tinha em média 3,2 anos. Os investigadores assinalaram também que os profissionais de saúde tiveram 30% mais de atitudes passivas e tranquilizantes (do tipo “isto vai passar”) relativamente às crianças com TEA do que com as crianças com DI/TD.

Apesar de os pais das crianças com TEA terem demonstrado mais precocemente preocupação por alterações na criança (2,1 anos), comparativamente aos pais das crianças com DI/TI (3 anos), o adiamento do diagnóstico foi comum a ambas as doenças, mas foi agravado especialmente nas situações em que o profissional de saúde teve uma atitude passiva ou tranquilizadora.

Este estudo publicado no jornal The Journal of Pediatrics em abril de 2015, veio concluir que no caso das crianças com TEA, o diagnóstico demorou quase três anos após a conversa inicial com o profissional de saúde. “Espero que este estudo sirva de alerta para a necessidade de formação dos profissionais de saúde primários” declara ainda Katharine Zuckerman.

Os TEA afetam 1 a 2% das crianças nos Estados Unidos e são caracterizados por alterações no desenvolvimento neurológico e que podem manifestar-se por dificuldades na interacção social, comunicação, interesses restritos e comportamentos repetitivos.


domingo, 31 de janeiro de 2016

Mulheres solteiras e a Procriação Assistida

Em Portugal de momento os tratamentos de procriação medicamente assistida só são permitidos aos casais heterossexuais e muitas mulheres têm ido a Espanha para concretizar o sonho de serem mães.  O alargamento destes tratamentos às mulheres solteiras é um dos assuntos que deve ser brevemente discutido na Assembleia da República.

Hoje à noite não percam a reportagem especial SIC/ Expresso que vai para o ar no jornal da noite : "Filhos de pai incógnito". Podem visualizar o video aqui.


#infertilidade #mulheressolteiras

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Feliz Natal !!!


Feliz Natal para todos!

Espero que desfrutem esta quadra natalícia com saúde, paz e muito amor.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Esperando o teste de gravidez...

Na semana passada duas amigas vieram até à clínica para finalizar o tratamento de fertilização in vitro e transferir os seus embriões para o útero. Durante este fim de semana já me ligaram pois começam a estar nervosas e muito ansiosas com a chegada do dia do teste de gravidez.


Este período, que vai desde a transferência do(s) embrião (ões) para o útero materno até à realização do teste de gravidez é para a maioria dos casais o mais difícil. O tratamento já foi realizado e agora resta apenas esperar. Durante esta etapa a mulher pode sentir algumas alterações, tais como o peito inchado, cólicas menstruais, que podem muito bem ser sinais de gravidez, mas também efeitos secundários da medicação.



Durante esta etapa aconselho mesmo a relaxar e a deixar o tempo passar. Se a mulher puder continuar a trabalhar pode até ser benéfico para a distrair. Agora não há mais nada a fazer a não ser seguir as recomendações médicas! Para quem está nesta situação desejo muita sorte!

Para saber mais veja aqui.

#testegravidez; #tratamentoinvitro

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

E se eles também sentissem o bebé ?!

A gravidez é um momento único na vida de um casal, mas algumas sensações por mais que a mulher tente não as consegue descrever ao futuro pai. Nomeadamente, os movimentos do bebé são algo inexplicável.


A Huggies teve uma ideia genial. Criou um protótipo de barriga de grávida com vários sensores. Na barriga da mãe colocaram uma barriga com sensores que recebiam os movimentos do bebé, e na barriga do pai colocaram um protótipo de barriga com sensores que transmitiam os movimentos do bebé em tempo real. Cada vez que o bebé se mexia na barriga da mãe o pai também tinha a mesma sensação. A ideia está fantástica e o vídeo muito comovente! Vale a pena ver!




segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Congelar óvulos para adiar a maternidade

Hoje em dia as mulheres têm filhos cada vez mais tarde. Os motivos mais comuns que as levam a adiar a maternidade são a ausência de companheiro, instabilidade económica, conclusão dos estudos ou instabilidade no trabalho.


Este atraso na maternidade, pode ter algumas consequências menos boas, nomeadamente, a diminuição da fertilidade, e como tal dificuldades em conceber. Este efeito nota-se sobretudo em mulheres com idade superior a 38 anos. Por esta razão, hoje em dia, as mulheres com mais de 30 anos que não têm em vista nenhum projecto reprodutivo, podem ser aconselhadas a congelar os seus óvulos e assim preservar a sua fertilidade. Mais tarde, caso não consigam engravidar espontaneamente podem sempre utilizar os óvulos congelados.


Convém referir que a criopreservação dos óvulos só por si não garante que a mulher consiga uma gravidez futura.

Em Portugal, a técnica de criopreservação de óvulos já está disponível e foi motivo de uma reportagem que surgiu na SIC e na qual participo. Mostra um caso real de uma mulher que congelou os seu óvulos e que ainda não é mãe. Vejam aqui. Espero que gostem !


Se quiserem mais informações podem ver também aqui

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Parasitas podem alterar a fertilidade

Um estudo realizado nos Tsimane - um grupo de indígenas caçadores e horticultores residentes na Amazónia boliviana – consistiu em analisar como os parasitas afetam a fertilidade feminina.

O estudo foi conduzido por grupo de cientistas americanos e bolivianos e começou pela simples observação de Melanie Martin, uma antropóloga norte americana da Universidade de Santa Bárbara, que estava a fazer trabalho de pesquisa com o seu marido junto àquela tribo na Bolívia. O propósito inicial de Melanie era estudar os hábitos de alimentação, amamentação e saúde materno-infantil dos Tsimane.

Durante a sua estadia com aquela tribo, Melanie e o seu marido decidiram engravidar. Como a gravidez aconteceu tão rapidamente, Melanie quando regressou aos EUA, comentou com os seus colegas médicos e bioquímicos que talvez os parasitas presentes na Amazónia a tivessem ajudado.

Melanie sabia que a média de filhos de cada mulher daquela tribo era de 9 filhos. Além disso, na tribo dos Tsimane, 70 % da população está infectada por parasitas intestinais. Os mais comuns são a Ancylostoma duodenale e a Ascaris lumbricóides (lombriga). Após 9 anos de observação e recolha de dados sobre esta população, com início em 2004, os cientistas observaram que as mulheres infetadas pelos Ancylostoma duodenales apresentavam intervalos entre cada gravidez mais longos, enquanto as infetadas pelas lombrigas tinham maior probabilidade de engravidar.

De acordo com os investigadores, muitos parasitas provocam no nosso organismo uma alteração do sistema imunitário, semelhante à que acontece durante a gravidez e que se caracteriza por uma diminuição de possíveis respostas inflamatórias que possam impedir essa gravidez. É talvez por esta razão que as mulheres infectadas com lombrigas têm maior probabilidade de gestação.

Sem dúvida uma explicação muito interessante. Espero que continuem com as investigações para que possamos entender melhor as causas de infertilidade!


#infertilidadeparasitas
#Tsimanefertilidade

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

SABIA QUE ….

DADOS SOBRE INFERTILIDADE

• Um em cada seis casais tem problemas de fertilidade pelo menos uma vez durante a sua vida reprodutiva.

Creative Commons Licensing [Flickr, Our 3 Week Old Girl, Jan. 28, 2008]
9% das mulheres com idades compreendidas entre os 20 e os 44 anos têm dificuldade em engravidar após 12 meses de tentativas.

20 a 30% dos casos de infertilidade são atribuídos a fatores masculinos, 20 a 35% têm origem feminina e 25 a 40% são atribuídos a ambos os parceiros. Em 10 a 20% dos casos não é possível identificar uma causa concreta.

• A infertilidade está associada ao estilo de vida, ao consumo de tabaco, ao peso e ao stress. Uma das causas mais comuns é a idade avançada da mulher quando pretende ter filhos.

• Estima-se que terão nascido 5 milhões de bebés no mundo após tratamento de reprodução assistida.

• A grande maioria dos tratamentos de reprodução assistia destinam-se a mulheres entre os 30 e os 39 anos.

Dados de 2014 publicados pela  European Society of Human Reproduction

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Pela nossa saúde, não fume!

Hoje comemora-se o dia mundial do não fumador com o objectivo de consciencializar as populações para os efeitos maléficos do tabaco.

Imagem; ZME Science
Quando um cigarro se acende, o fumador apenas ingere parte desse fumo, o restante é queimado e lançado para o ambiente e pode ser inalado por quem estiver por perto – o fumador passivo. O tabaco é um dos responsáveis pelas principais causas de morte atuais mas não só. Além de encurtar a esperança média de vida de quem fuma, os fumadores passivos sobretudo as crianças também sofrem efeitos imediatos do tabaco tais como: tosse, aumento de alergias (em especial das vias respiratórias), aumento de infeções, irritação nos olhos, manifestações nasais, dores de cabeça, entre muitas outras.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) o tabagismo passivo é a 3ª maior causa de morte evitável no mundo, a seguir ao tabagismo ativo e ao consumo de álcool excessivo.


Pela sua saúde e pela saúde de quem está perto de si, não fume!

Para quem quer engravidar, não esqueça que o tabaco também é uma das causas de infertilidade!

#tabaco; #diamundialnaofumador

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Falando sobre engravidar ... outra vez!

Muitos casais não compreendem como após o nascimento de um filho saudável possam vir a ter problemas para voltar engravidar. “Foi tão rápido da primeira vez!” refere Maria (nome fictício). “Apenas foi deixar de tomar a pílula e nos dois meses seguintes estava grávida do Francisco.” Agora, 3 anos mais tarde Maria começa a estar preocupada pois está há mais de um ano a tentar ter outro filho e não entende porque é que nada funciona. Começou por consultar o seu ginecologista que depois de um exame exaustivo e diversas análises a encaminhou para um especialista em fertilidade. 


Foto: Gabi Menashe 
A consulta de fertilidade foi inicialmente para a Maria e para o marido um choque, pois estava fora de questão pensarem que seriam inférteis uma vez que já tinham um filho. Mas o diagnóstico era claro – sofriam de infertilidade secundária. 

Define-se por infertilidade secundária quando um casal que conseguiu previamente conceber sem recurso a tratamentos de fertilidade e medicação se encontra com dificuldades para engravidar novamente ou apresenta um quadro de repetidos abortos.

Há vários aspectos que contribuem para um aumento de casais a sofrerem de infertilidade secundária sendo o fator principal a idade da mulher. Hoje em dia as mulheres tem filhos cada vez mais tarde, pelo que a maioria quando decide ter um segundo filho já ultrapassou largamente os 35 anos de idade, altura em que a qualidade e a quantidade dos seus óvulos começa a diminuir. As capacidades reprodutivas de uma mulher podem sofrer um grande declino passado pouco tempo, mas o mesmo já não acontece com tanta frequência no que respeita à qualidade seminal.

No caso de Maria e do marido, era exactamente o que se passava. Maria tinha tido o primeiro filho aos 34 anos e agora com 37 estava com dificuldades em engravidar. Após consulta com o especialista verificou-se que a sua reserva de ovócitos tinha diminuído e que inclusive apresentava alguns ciclos sem ovulação. Aparentemente os parâmetros seminais estavam bem e o casal ia agora iniciar um ciclo de inseminação artificial. Esperemos que corra tudo bem e que em breve o Francisco possa ter um irmão/irmã.

Qualquer casal que procure gravidez e que esteja com dificuldades para conceber deverá consultar um especialista. Para aqueles casais em que a mulher tem mais do que 35 anos não convém esperar mais do que 6 meses de tentativas falhadas para fazerem uma avaliação. 

#infertilidade; #infertilidadesecundaria; #qualidadeseminal; #qualidadeovocitari

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Eu acredito em milagres

Eu acredito nos milagres porque vejo que eles existem!

Como embriologista tenho a oportunidade de lidar diariamente com casais em tratamento de Procriação Medicamente Assistida e escutar as suas preocupações, tristezas,  mas também alegrias. Hoje recebi mais uma notícia de um verdadeiro milagre! Fiquei muito contente!

Infelizmente a infertilidade em Portugal ainda é um assunto tabu. Mas creio que o é pelo facto da sociedade não estar informada e não saber ainda lidar com este problema. Mais concretamente as pessoas não sabem o que dizer quando alguém lhes informa que está a tentar engravidar e não consegue. No entanto penso que alguns avanços têm sido feitos, e hoje em dia as pessoas começam a falar mais sobre o tema. Todos temos algum amigo ou conhecido que está a passar por um processo semelhante. Para que o tratamento funcione, é importante que o casal esteja tranquilo. Mas para tal é bom que possa compartir os seus medos, dúvidas e até experiências vividas.

Hoje venho dizer-vos que os milagres existem: há casais que depois de vários anos de tentativas conseguem engravidar! Não desistam do vosso de serem pais! É preciso ter persistência, os caminhos não são todos iguais. E sem dúvida necessitam de ter uma boa equipa clínica que vos apoie e vos oriente para conseguirem o vosso bebé!

Boa sorte! Não desistam! Tenho a certeza de que vai valer a pena!

#fertilidade, #infertilidade, #fertilidademilagre

sábado, 4 de julho de 2015

9º Edição - A festa da Família - BARRIGAS DE AMOR

Se há festa que eu não posso perder é o maior evento nacional dedicado à Grávida e à Família -  A Festa da Família.

Este evento que já vai na 9ª edição. vai decorrer no Parque dos Poetas, em Oeiras no próximo domingo, dia 5 de julho, das 10h às 20h e a entrada é gratuita.

Posso dizer que participo neste evento há vários anos e é sempre muito divertido. Para além de existirem imensas atividades para as crianças, existem também muitas sessões interessantes para os pais e futuros pais.

Para terem uma ideia de como vai ser a festa venham aqui.

Este ano estão reservadas muitas surpresas! Não deixem de ir, vale a pena!
Até domingo!

#barrigasamor, #festafamilia

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