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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Congelar óvulos para adiar a maternidade

Hoje em dia as mulheres têm filhos cada vez mais tarde. Os motivos mais comuns que as levam a adiar a maternidade são a ausência de companheiro, instabilidade económica, conclusão dos estudos ou instabilidade no trabalho.


Este atraso na maternidade, pode ter algumas consequências menos boas, nomeadamente, a diminuição da fertilidade, e como tal dificuldades em conceber. Este efeito nota-se sobretudo em mulheres com idade superior a 38 anos. Por esta razão, hoje em dia, as mulheres com mais de 30 anos que não têm em vista nenhum projecto reprodutivo, podem ser aconselhadas a congelar os seus óvulos e assim preservar a sua fertilidade. Mais tarde, caso não consigam engravidar espontaneamente podem sempre utilizar os óvulos congelados.


Convém referir que a criopreservação dos óvulos só por si não garante que a mulher consiga uma gravidez futura.

Em Portugal, a técnica de criopreservação de óvulos já está disponível e foi motivo de uma reportagem que surgiu na SIC e na qual participo. Mostra um caso real de uma mulher que congelou os seu óvulos e que ainda não é mãe. Vejam aqui. Espero que gostem !


Se quiserem mais informações podem ver também aqui

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

A importância da congelação de embriões e gâmetas

Desde o nascimento de Louise Brown em 1978 (primeiro bebé que nasceu com recurso às técnicas de reprodução in vitro) que a medicina da reprodução tem evoluído muito. Para mim, uma das maiores conquistas tem sido a técnica da congelação de embriões e de gâmetas (ovócitos e espermatozóides).

Banco de armazenamento de material biológico.

A congelação do material biológico permite a qualquer indivíduo ou casal aumentar as suas probabilidades de gravidez no futuro. Como já referi num artigo passado, existem vários métodos para congelar o material biológico e o grande avanço destas técnicas foi o aumento das taxas de sobrevivência do material biológico após descongelação.

E porque é importante a congelação? Primeiro porque na maioria dos ciclos de reprodução assistida são criados embriões excedentários (embriões que não são transferidos para a cavidade uterina). Ao congelarmos esses embriões, estamos a permitir aos casais utilizarem os mesmos em novas tentativas de gravidez, aumentando assim as probabilidades de gravidez por tratamento. A congelação de gâmetas também é uma ferramenta valiosíssima pois permite que um indivíduo congele os seus ovócitos ou espermatozóides enquanto jovem para mais tarde os utilizar.

É do conhecimento de todos que a idade em que os casais têm o primeiro filho está a aumentar. Se na década de 70 a mulher tinha o primeiro filho aos 23 anos, hoje em dia a maioria das mulheres não tem filhos antes dos 30 anos (Fontes/Entidades: INE, PORDATA, dados de 30/04/2014). Ou seja houve um atraso de 7 anos. Este facto deve-se à entrada tardia dos jovens no mercado de trabalho (mais concretamente pelo aumento do nível de estudos das mulheres), e na independência económica tardia que os leva a demorar mais tempo até encontrarem as condições propícias para terem descendência. Este atraso na maternidade tem sido uma das razões pelas quais hoje em dia há um aumento do número de casais a procurar ajuda para conseguir engravidar.

Como já referi anteriormente, a capacidade reprodutora da mulher começa a diminuir por volta dos 35 anos. Fundamentalmente porque a qualidade dos ovócitos piora e a reserva ovárica diminui. Por essa razão, a técnica de congelação de ovócitos poderá ser importante para todas as mulheres que se vejam obrigadas a adiar o seu projeto de maternidade pois permite guardar os seus ovócitos enquanto jovens e utiliza-los mais tarde.

Ao congelar os seus ovócitos antes dos 35 anos, a mulher vai preservar a sua fertilidade. Mas atenção que a congelação não garante que a mulher consiga engravidar no futuro! Vai depender entre outras coisas da qualidade que os ovócitos tinham quando foram congelados.

A congelação dos gâmetas é também muito importante para aqueles indivíduos que tem uma doença oncológica e que se vão submeter a tratamentos de quimioterapia e radioterapia. Sabemos hoje que estes tratamentos vão comprometer a fertilidade dos indivíduos pelo que é aconselhável congelar os gâmetas antes de iniciarem os tratamentos oncológicos. Se quiserem ler mais acerca deste assunto vejam aqui.

Tenham um ótimo fim de semana!

#congelacaoembrioes, #vitrificacao, #vitrificacaoembrioes




quarta-feira, 21 de maio de 2014

Cada vez mais mulheres congelam óvulos

Vi esta manhã a reportagem na RTP que falava que mais mulheres congelam óvulos para mais tarde utilizar.

Fiquei muito satisfeita de ver a divulgação da técnica de congelação de óvulos, pois de facto vê-se que tem resultados a longo prazo, e a grande maioria das pessoas desconhece a sua existência. A congelação de óvulos tem o grande objetivo de permitir às mulheres adiar o seu projeto de maternidade preservando a sua fertilidade. Muito útil no caso de pacientes oncológicas que podem assim evitar que alguns dos seus óvulos fiquem sujeitos aos fármacos utilizados em quimioterapia, ou no caso de mulheres jovens, que ainda não têm parceiro e têm receio de não ter nenhum projeto parental antes dos 35 anos (idade em que a qualidade ovocitária começa a decair).

Por considerar uma técnica de extrema importância e com muito potencial, foi um dos primeiros artigos que escrevi neste blogue. Leiam e divulguem às vossas amigas e familiares.artigo no blogue - congelação ovúlos
Fonte: creative commons

Por último, não posso deixar de mencionar que apesar de muito interessante  a reportagem apresentada na RTP, eles não deveriam ter dito que existem apenas 38 bebés nascidos desta técnica. Num artigo publicado em 2009 que fazia uma revisão de todos os artigos publicados que mencionavam a congelação de óvulos, fazia referência a 900 bebés nascidos desta técnica Imaginem portanto agora, em 2014, quantos bebés terão nascido mais!

Tenham um bom dia! 


sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Vamos preservar a nossa fertilidade!

A grande maioria de nós não sabe se tem um problema de infertilidade até ao momento que finalmente deseja ter filhos. Infelizmente, esse momento por vezes prolonga-se no tempo ou porque o parceiro ideal não chega, ou porque os estudos ainda não terminaram, o emprego de sonho ainda não chegou, etc. e quando o casal se prepara para finalmente construir família por vezes a idade já não ajuda.

Uma das formas de parar o tempo, neste caso, preservar a fertilidade é congelar os gâmetas (óvulos ou espermatozóides). A congelação é uma técnica que se utiliza há muito tempo e já existem milhares de crianças nascidas provenientes de fecundação in vitro com sémen ou ovócitos congelados e pode ser uma opção para “parar” o relógio biológico. Convém referir que apesar de ser uma alternativa, não é uma garantia 100% segura de gravidez!!! A congelação dos gâmetas depende muito da qualidade dos mesmos! Se os óvulos são de má qualidade provavelmente não irão sobreviver em boas condições quando descongelados, o mesmo se passa com os espermatozóides, embora estes estejam em maior número e portanto em princípio será mais fácil utiliza-los.
A congelação também pode ser recomendada a pacientes oncológicos antes de iniciar os tratamentos de radioterapia ou quimioterapia já que estes tratamentos danificam a fertilidade.

Actualmente a técnica mais utilizada para congelar óvulos é o método da vitrificação. Com este método a taxa de sobrevivência dos óvulos ronda os 85%. Este processo demora aproximadamente 30 minutos e consiste numa congelação rápida dos óvulos, para que tenham uma ideia, os óvulos passam de uma solução que está a 24ºC para o azoto líquido que está a -196ºC em 5 segundos!! 

Deixo-vos um video para que vejam como se faz este processo! 


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