quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

FELIZ NATAL!!!

Mais um ano passou...

Gostaria de desejar a todos um FELIZ NATAL !

Para aqueles que conseguiram concretizar o desejo de serem pais vai com certeza ser um Natal muito especial! Para os que não ainda conseguiram não desanimem! Muita força e ânimo! Vamos acreditar que o ano novo vai ser diferente!

Muita saúde, paz e amor são os meus votos sinceros!

Bjs
Sofia

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

2014: Estabilização da taxa de natalidade em Portugal?

Aparentemente a taxa de natalidade em Portugal estabilizou em 2014. Apesar destes dados serem animadores, pois nos últimos anos a taxa de natalidade esteve sempre a decrescer, ainda é cedo para pensarmos numa inflexão desta taxa e que o número de recém nascidos por ano vai começar a aumentar.

Continuamos a necessitar de medidas para incentivar a natalidade e apoiar as famílias pois Portugal continua a fazer parte dos países da Europa com as taxas de natalidade mais baixas.


Li um artigo no jornal o Público que refere que em 2014 nasceram apenas menos 58 bebés que igual período em 2013. Porquê?  Será que os casais já se habituaram às medidas políticas de austeridade e resolveram não adiar mais a natalidade? O que é certo é que a idade média em que a mulher portuguesa tem o seu primeiro filho está cada vez mais perto de ultrapassar os 30 anos e isso pode ser um problema caso deseje ter mais filhos. Essa é uma das causas que faz com que a taxa fecundidade das mulheres portuguesas seja muito baixa (1,2).

Para lerem mais sobre este tema dêem uma espreitadela no artigo do Público.

Tenham uma boa semana!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Compras Natal: uma ideia

Estamos na época natalícia, adoro esta altura do ano em que não só reunimos toda a família como também vemos amigos de longa data.

O que menos gosto é a atitude consumista da nossa sociedade que nos leva a comprar presentes para todos. Adoro fazer surpresas e comprar prendas quando realmente vejo algo que gosto para determinada pessoa, mas ter que comprar mil e um presentes em pouco tempo e sobretudo ter atenção aos gastos é complicado.

Noutro dia visitei a loja da UNICEF e de facto achei que realmente ao comprar ali alguns dos meus presentes estaria a contribuir para uma boa causa: ajudar as crianças mais necessitadas.

Convido-vos a dar uma espreitadela na loja online pois têm imensas coisas e com a vossa compra estão ajudar as crianças mais necessitadas do mundo.

Boas compras e bom fim de semana!


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Tratamentos de Fertilidade no Serviço Nacional de Saúde

Qualquer mulher pode realizar uma consulta de infertilidade no Serviço Nacional de Saúde, contudo, nem todos os casais podem estar elegíveis para realizar tratamento de fertilidade.

Quais os critérios de aceitação para a realização de um tratamento de fertilidade?

O casal, heterossexual, deve estar casado ou a viver em união de facto há pelo menos 2 anos.

Para que o casal possa realizar um tratamento de fertilização in vitro, a mulher deve ser menor de 40 anos. Para realizar uma inseminação artificial ou indução da ovulação a mulher deve ser menor de 42 anos.

Em ambas as situações é permitida a realização de 3 tratamentos.

Ficam assim excluídos:
Casais homossexuais;
Mulheres solteiras;
Mulheres com idade superior a 40 anos para o caso de tratamentos in vitro
Mulheres com idade superior a 42 anos para o caso de inseminação intrauterina ou indução ovulação


Deixo-vos aqui a lista dos Centros Públicos onde se realizam tratamentos de fertilidade em Portugal:

Zona Norte

CENTRO HOSPITALAR DO ALTO AVE, EPE

CENTRO HOSPITALAR DE VILA NOVA DE GAIA / ESPINHO, EPE

CENTRO HOSPITALAR DO PORTO, EPE

Zona Centro

CENTRO HOSPITALAR UNIVERSITÁRIO DE COIMBRA, EPE

CENTRO HOSPITALAR COVA DA BEIRA, EPE

CENTRO HOSPITALAR LISBOA NORTE, EPE - HOSPITAL DE SANTA MARIA

CENTRO HOSPITALAR LISBOA CENTRAL, EPE - MATERNIDADE DR. ALFREDO DA COSTA

HOSPITAL GARCIA DE ORTA, EPE

Funchal

HOSPITAL DR. NÉLIO MENDONÇA, SESARAM, EPE


Como podem verificar existem mais centros de fertilidade no norte do país pelo que provavelmente as listas de espera para realizar tratamento nesses centros seja menor... informem-se! Boa sorte!

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

DIA MUNDIAL LUTA CONTRA A SIDA

1 de dezembro é o dia mundial da luta contra a SIDA (SÍNDROME IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA). A sida é uma doença causada pelo VIH (vírus da imunodeficiência humana) e que lamentavelmente ainda necessita de ser recordada.

Apesar de ter havido uma diminuição do aparecimento de novos casos, Portugal continua com registos superiores aos da média europeia e de acordo com as estatísticas, o grupo de maior risco
é o dos jovens heterossexuais de 17-18  anos.

No Brasil a situação é semelhante sendo que os números são mais alarmantes: em 6 anos observou-se um aumento de 50% dos jovens infectados (faixa etária dos 14 aos 24 anos).

Parece que o principal motivo para este aumento é a falta de informação mas também a despreocupação em utilizar medidas para prevenir a doença (preservativo, seringas com agulhas descartáveis, etc). De facto hoje em dia a taxa de mortalidade provocada por esta doença diminuiu pois existem medicamentos que permitem atenuar os efeitos da doença mas as pessoas esquecem-se: o HIV não tem cura e os medicamentos que são administrados tem efeitos secundários e devem ser tomados durante toda a vida!!


Uma vez que a esperança média de vida dos indivíduos infectados aumentou, assim como a sua qualidade de vida, muitos casais serodiscordantes acabam por pensar em constituir família. Para evitar o risco de infeção ao terem relações sexuais desprotegidas, estes casais devem recorrer a técnicas de procriação medicamente assistida. Convém no entanto referir que primeiramente a mulher deverá consultar um médico especialista para avaliar o seu estado de saúde e solicitar uma análise da sua carga viral no sangue.

Tratamentos de Procriação Medicamente Assistida em casais Seropositivos

No caso do parceiro masculino infectado, é possível fazer uma lavagem do sémen e assim eliminar o vírus. Nesses casos geralmente o casal tem que realizar um tratamento in vitro pois na maioria das vezes a concentração final de espermatozóides obtida não é suficiente para realizar uma inseminação intrauterina. No caso de ser a parceira feminina infectada, se o sémen do marido for normal (isto é, com concentração e mobilidade dentro da normalidade), poderá ser realizada uma inseminação artificial caso contrário deverá ser realizado um tratamento in vitro.

Após engravidar a mulher portadora de HIV deverá ser acompanhada por um médico especialista para que tome a medicação adequada para não passar o vírus para o bebé.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Emoções negativas e fertilidade

A comunidade científica ainda não chegou a conclusões sobre a causalidade direta entre emoções negativas e infertilidade. Ou seja, será que emoções como o medo, a culpa, a insatisfação, a irritabilidade, a frustração, a vergonha, a raiva e a tristeza, influenciam o sucesso da mulher ao tentar engravidar?

De facto, embora ainda não tenhamos a possibilidade de confirmar a causalidade direta entre emoções negativas e infertilidade, sabemos, por outro lado, que estas emoções prejudicam o nosso bem-estar emocional, a nossa autoestima, aquilo que acreditamos sobre nós mesmas, aquilo que julgamos conseguir, o que achamos que merecemos, a nossa capacidade de resistência, a nossa imunidade e, até, a nossa saúde.

Todas as emoções são naturais no ser humano. Todas elas têm uma função. No entanto, quando as emoções negativas persistem e se tornam um standard, passam a ser tóxicas! Intoxicam o nosso cérebro e enchem o nosso organismo de pressão, angústia, stress, ansiedade e até depressão! Sabemos também que as emoções tóxicas, sentidas em permanência, geram sentimentos negativos. Por essa razão, a Psicologia assume que as emoções negativas acabam por nos fazer adoecer! António Damásio, Neurocientista, fala inclusive numa “fisiologia das emoções”, isto é, as emoções passam a sentimentos (“sentir no corpo”) a ponto de, experimentadas repetidamente, nos adoecerem.

Somos os únicos com o poder de criar a nossa vida. Teresa Marta.
Esta “biologia das emoções negativas”, sentidas no corpo, podem pois condicionar de forma negativa a fertilidade. São fatores psicológicos, na maioria das vezes inconscientes, mas muito limitadores. Estes fatores podem explicar, por exemplo, inúmeras situações de casais que sofrem de infertilidade, sem razão física aparente ou declarada. Está tudo bem com a biologia, no entanto, a gravidez não acontece.

Ou seja, na base da infertilidade podem não estar fatores biológicos ou orgânicos, mas fatores emocionais que o nosso organismo somatiza. A ciência alerta-nos, por exemplo, para fatores como o stress e a ansiedade, apontando-lhes a causa da disfunção das funções cerebrais do hipotálamo, o que acaba por alterar a ovulação. Neste mesmo sentido, sabe-se também que o stress altera as funções imunológicas das nossas células refletindo-se na função reprodutiva da mulher.

Como tal, se está a tentar engravidar sem sucesso, antes de aceitar um diagnóstico de infertilidade ou achar que algo de errado se passa consigo, foque-se nas suas emoções, nos seus sentimentos e nos alertas que o seu corpo lhe está a dar.

A cura consciente das emoções é uma base muito, muito, importante no seu caminho para conseguir engravidar. Quando uma mulher aprende a modular o seu stress com eficácia, a sua fertilidade pode alterar-se! Para melhor.
Não deixe que as emoções negativas a derrotem, na vida que tanto deseja criar!

Teresa Marta
Autora: Mestre em Relação de Ajuda - Psicoterapia Existencial e autora do blog http://teresasemmedo.blogspot.pt/

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

BARRIGAS DE AMOR®​ ​| ESPECIAL NATAL ​

Já têm planos para o próximo fim de semana?

Marquem já na vossa agenda o encontro do BARRIGAS DE AMOR®​ ​| ESPECIAL NATAL ​no próximo sábado dia 29 de​ ​novembro, no Convento do Beato, em​ ​Lisboa das 10h às 19h. Este evento dedicado ao NATAL vai ser composto por diversas workshops para toda a família e vai contar com a presença do Dr. Mário Cordeiro que nos vai explicar como "Educar com Amor" e a Filipa Sommerfeld Fernandes que nos vai falar sobre “O sono do bebé”.

Este evento vai promete muito animação para os mais pequenos e para quem ainda não fez as compras de Natal pode consultar as marcas de moda infantil, puericultura e brinquedos!

Não faltem!

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Diminuição da fertilidade feminina: quando e porquê.

Todos sabemos que à medida que a mulher envelhece a sua capacidade reprodutora começa a diminuir. Sabem porquê?

Redução da quantidade de ovócitos

A mulher, ao contrário do homem, não produz ovócitos ao longo da sua vida. Ela nasce com aproximadamente 1 a 2 milhões de ovócitos e a grande maioria desses ovócitos vai degenerando (morrendo) ao longo do tempo. Quando chega à puberdade tem entre 300 000 a 500 000; por volta dos 37 anos tem aproximadamente 25 000 e quando chega aos 51 anos pode ter ainda 1 000 (altura em que geralmente as mulheres tem a menopausa). Ou seja, a quantidade de ovócitos disponíveis para gerar um embrião é cada vez menor! Apesar destes números nos parecerem astronómicos, e até podermos pensar que são suficientes para obter gravidez (dado que para gerar um embrião basta apenas um ovócito!), devemos ter em conta que em cada ciclo menstrual são "gastos" vários ovócitos mas apenas um será libertado… há inclusive mulheres que "gastam" vários ovócitos num ciclo menstrual e não chegam sequer a ter ovulação!

De facto, a grande maioria das mulheres com idade superior aos 40 anos que realiza tratamentos de fertilização in vitro, apresenta uma baixa reserva ovárica e em geral quando realiza ciclos de reprodução assistida são poucos os ovócitos que conseguem produzir.

Diminuição da qualidade ovocitária

Outra das causas principais para a perda da fecundidade da mulher é a diminuição da qualidade dos ovócitos produzidos. Esta diminuição começa a sentir-se de forma gradual por volta dos 32 anos e a qualidade dos ovócitos decresce de forma abrupta a partir dos 37 anos. Esta perda de qualidade traduz-se por um aumento da hormona FSH no sangue, e uma diminuição dos níveis da hormona antimulleriana e da inibina B. Razão pela qual é importante fazer um doseamento destas hormonas para avaliar a função ovárica (principalmente a anti-mulleriana também conhecida como HAM ou AMH). 

Ou seja, a diminuição da quantidade de ovócitos e a perda da qualidade dos mesmos conduzem ao declínio da fertilidade feminina com o envelhecimento.

Um estudo feito recolhendo dados vários países sobre a fecundidade das mulheres casadas que não usavam qualquer método anticonceptivo veio corroborar o declínio da fertilidade com a idade da mulher. No gráfico obtido (fig 1), em que está representada a taxa de fecundidade das mulheres casadas em função da idade da mulher,  pode-se observar, que existe um declínio "suave" da fecundidade entre os 32 e os 36 anos e que aproximadamente a partir dos 36 a fecundidade cai de forma abrupta!  
Fonte:  1986 Sep 26;233(4771):1389-94.


Por outro lado, convém mencionar que à medida que a mulher envelhece aumenta também a probabilidade de aparecerem outros factores de risco que podem comprometer a sua fertilidade: doenças nas trompas de Falópio, endometriose, etc.




Resumindo, é muito importante que os profissionais de saúde informem as suas pacientes nas consultas de planeamento familiar sobre o declínio da fecundidade com a idade.
Também é importante que as mulheres com idade superior a 36 anos sejam avaliadas após 6 meses de tentativas falhadas para engravidar e que as mulheres com idade superior a 40 anos sejam avaliadas quando pretenderem engravidar.


#fertilidade, #fertilidadefeminina #diminuicaofertilidade
                                                           


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Fecundação in vitro - à procura do 2º filho

Felizmente são muitos os casais que são bem sucedidos com as técnicas de Fertilização in vitro e que algum tempo depois do primeiro filho nascer resolvem novamente fazer tratamento para aumentar a família.

Penso que a procura deste segundo filho é mais tranquila. Os casais já se encontram mais confiantes, já conhecem todo o processo e sobretudo já sabem que funciona! Por outro lado estão mais relaxados e não estão tão focados no tratamento pois têm que cuidar o primogénito. Muitos inclusive nos contam que apesar do desejo de serem novamente pais ser muito grande, já ficariam mais conformados caso o tratamento para o 2º filho não funcionasse.



É necessário novo tratamento?
Alguns desses casais não necessitam de fazer um tratamento de fertilização completo, isto é, a mulher não necessita de se submeter a uma nova estimulação e inseminar os ovócitos pois o casal ainda tem embriões congelados do tratamento anterior. Nesses casos é necessário apenas a preparação do endométrio (tecido que reveste a cavidade uterina) para que o útero esteja apto a receber os embriões e programar a transferência dos embriões que estavam criopreservados.


E quando é necessário novo tratamento ...
Caso a mulher tenha que fazer nova estimulação, pode dizer-se também que do ponto de vista médico este passo também é geralmente mais fácil. O caminho já foi traçado e em geral o médico tenta copiar o protocolo de estimulação dos ovários utilizado no tratamento anterior. Convém alertar que por vezes a resposta dos ovários pode não ser a mesma, de facto a idade da mulher já não é a mesma. Esta situação depende muito da idade com que a mulher teve o primeiro filho e de quanto tempo esperou para fazer um novo tratamento. Como sabem a reserva ovárica e a qualidade dos ovócitos começa a diminuir por volta dos 35 anos.

No que respeita ao processo in vitro também para nós biólogos, este segundo tratamento é mais fácil. Nesta fase tentamos utilizar as mesmas técnicas que funcionaram no primeiro tratamento. Já não hesitamos se fazer ICSI ou FIV convencional, se fazer a transferência do(s) embriões ao terceiro dia ou deixa-los em cultura até ao quinto dia em laboratório. Tentamos repetir os procedimentos utilizados.

Em resumo: a procura do 2º filho costuma em regra ser mais tranquila e bem sucedida! No entanto não há garantias de que o tratamento FIV funcione à primeira! Devo alertar que depende de muitos factores entre eles da causa de infertilidade do casal e da idade da mulher!

Se querem ter mais do que um filho consultem o vosso médico para saber quanto tempo podem/devem esperar para começar novo tratamento de fecundação in vitro.
Boa sorte!

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Vantagens da transferência de blastocistos

Quando um casal faz um tratamento de Fertilização in vitro, nem sempre é fácil decidir qual o melhor dia do desenvolvimento embrionário em que devem ser transferidos os embriões para a cavidade uterina. Habitualmente os embriões são transferidos ao segundo ou ao terceiro dia de vida (ainda na fase de células). Volto a mencionar este tema porque cada vez são mais os estudos publicados a descreverem taxas de gravidez e implantação mais elevadas quando são transferidos blastocistos para a cavidade uterina. Para aqueles que não sabem ou queiram recordar o que é um blastocisto podem faze-lo aqui. 


Os mesmos estudos que referem que ao deixar os embriões em cultura em laboratório durante mais dias até ao estadio de blastocisto apresenta inúmeras vantagens:

1) Minimizar o tempo de exposição do embrião ao ambiente uterino que foi hiperestimulado
Ao fazer a transferência ao quinto ou ao sexto dia após a punção ovárica permite reduzir a exposição do embrião às hormonas utilizadas durante a estimulação dos ovários. Desta forma o organismo materno tem tempo para ir eliminando estas hormonas.


2) Melhor sincronização entre a fase do ciclo embrionário e o momento da transferência dos embriões para a cavidade uterina 
Recordo que o ovócito é fecundado na trompa de Falópio e depois, ao longo do seu desenvolvimento vai migrar pelas trompas até chegar ao útero. Enquanto se encontra nas trompas o embrião está na fase celular, e quando chega ao útero já está na fase de blastocisto;

3) Melhorar a seleção dos embriões para transferir para o útero materno;
Quantos mais tempo os embriões ficam em laboratório mais informações podemos colher acerca do seu desenvolvimento e portanto temos mais dados para escolher os embriões com maior potencial de implantação.

4) Aumentar a possibilidade de criopreservar os embriões.
Embriões que ao terceiro dia de vida não teriam qualidade para serem congelados, muitas vezes evoluem até ao estadio de blastocisto podendo nessa altura serem criopreservados.


Sem dúvida que a transferência de blastocistos é uma ótima opção de tratamento. Contudo, também apresenta algumas desvantagens - a principal é que muitos dos embriões não conseguem desenvolver-se até blastocisto em laboratório, podendo nessas situações o casal não ter embriões viáveis para transferir.

Converse com o seu médico, e pergunte-lhe se no seu caso valerá a pena deixar os seus embriões em cultura por mais tempo em laboratório.
Boa sorte!

#blastocisto
#transferênciaembrionária




sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Atriz desiste de tratamento de infertilidade

Não gosto de comentar a vida das outras pessoas mas achei que podia ser interessante divulgar a entrevista a Paula Neves (atriz) que foi publicada na revista Lux desta semana.

A atriz revela que desistiu dos tratamentos de infertilidade por não aguentar a pressão e o stress que estes tratamentos causam. A atriz refere que estes tratamentos interferem com o equilíbrio hormonal, com o sistema nervoso, com o equilíbrio psicológico e emocional e até com a vida sexual... Segundo ela "é preciso muita força, garra e motivação para entrar neste universo e fazer o que é necessário para atingir o objetivo. Nós não queremos assim tanto..."

A atriz de 36 anos, casada há 10 começou há 4 anos a tentar ter filhos e ao final dos 2 anos consultou ajuda médica. Pelo que refere na entrevista, o casal realizou apenas tratamentos de inseminação intrauterina não tendo avançado para a fecundação in vitro.

Achei importante esta entrevista (que aparece na primeira capa da revista Lux) pois acaba por estar ao alcance de todos. A Paula Neves é uma atriz simpática e querida do público português e ao expor assim a sua vida pessoal acaba por conseguir sensibilizar mais pessoas acerca dos tratamentos de infertilidade. Na entrevista a Paula não teve "pápas na língua" e acabou por contar as suas angústias e preocupações. Obrigada pela coragem de expôr um problema de muitas mulheres e de muitos casais. Pode ser que desta forma frases como "não dás um filho ao teu marido" acabem por não serem ditas!

Vale a pena ler !


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Dicas para ultrapassar as emoções negativas da infertilidade

A Teresa Marta, mestre em Relação de Ajuda - Psicoterapia Existencial e autora do blog teresasemmedo, que eu sigo habitualmente, envia-nos umas dicas sobre como ultrapassar as emoções negativas da infertilidade. Sem dúvida é um aspecto muito importante para qualquer casal quando realiza um tratamento de infertilidade. Espero que gostem tanto como eu! Vale a pena ler! 

1. Não se envergonhe das suas emoções! Se sentir culpa, raiva, medo ou tristeza, assuma-as. Verbalize o que sente!  

2. Não se foque em exemplos familiares de sucesso no que respeita à facilidade de engravidar. O seu caso é único. Você é singular. Não está condenada à partida. Tudo é possível!

3. Confie no processo da vida. Confie que tudo o que está a acontecer tem um propósito. Confie que, aconteça o que acontecer, você vai conseguir dar a volta por cima.

4. Não se avalie em demasia. Você é humana. Não permita que a encaixem em métricas e escalas de aferição. Esqueça as percentagens de insucesso. Mais uma vez, recorde que é singular. Quem lhe diz que tem de pertencer às estatísticas negativas?

5. Evite conversas com pessoas focadas na sua infertilidade. Não ceda a perguntas nem a observações que a desgastam e a colocam em stress e com medo.

6. Não se perca na internet a pesquisar informação sobre “o seu caso”. Se o fizer procure pesquisas pela positiva. Foque-se em exemplos de sucesso.

7. Faça uma descrição exaustiva do seu estilo de vida (profissão, hábitos alimentares, medicação, exercício, horas de sono, hora de deitar-se). Inclua na lista pessoas e situações que sugam a sua energia anímica. Identifique o que pode libertar, o que já não lhe dá bem-estar, nem a faz feliz! Por vezes, basta esta libertação para que se sinta apaziguada e engravide!   

8. Evite focar a sua energia na vertente “infertilidade”. Lembre-se que aquilo em que nos concentramos cresce!

9. Crie um caderno de reforço pessoal! Escreva tudo o que já conseguiu. Leia este caderno sempre que se sentir a fraquejar.

10. Aprenda que está a fazer o melhor que pode, com as condições e o conhecimento que tem neste momento. Acalme o seu coração. Confie na sua capacidade inata de renovação.

TeresaMarta

Obrigada Teresa! 

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Maternidade ganha medalha de alta competição!

Fiquei maravilhada com as notícias sobre Sara Moreira a portuguesa vencedora da medalha de bronze na última Maratona de Nova Iorque. Sara está de parabéns pelo seu desempenho na prova mas está também de parabéns porque foi mãe recentemente. Esta atleta não foi a primeira em provar que a maternidade apesar de obrigar a uma pausa na vida da mulher não impede que as atletas retomem a sua atividade desportiva. Muitas das atletas referem que os filhos são uma estimulação e lhes dão "força extra" para não desistirem de atingir os seus objetivos.



Creio que qualquer mulher após a maternidade acaba por dar mais valor ao tempo. É fundamental saber gerir bem os minutos pois estes escasseiam. Os filhos acabam acabam por nos absorver muito e infelizmente no país em que vivemos ainda não existem suficientes medidas que apoiem as famílias.

Como portuguesa e mãe, sinto-me orgulhosa desta atleta!
A Sara está sem dúvida de parabéns pelo resultado e pelo desempenho que demonstrou!

Se quiserem saber mais leiam os artigos do DN e do Público. Vale a pena!

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Infertilidade

A infertilidade é uma doença do sistema reprodutor que se caracteriza pelo facto de um casal não conseguir obter uma gravidez a termo após 12 meses de relações sexuais desprotegidas. Há muito que este problema apareceu na espécie humana, contudo, foi no final do século passado que se deram os maiores avanços nesta área e surgiram algumas das técnicas de Procriação Medicamente Assistida.

A Procriação Medicamente Assistida (PMA) diz respeito a todos os tratamentos de fertilidade que incluem a manipulação de espermatozóides ou ovócitos no laboratório (ou seja, in vitro) e que têm como objetivo final a obtenção de uma gravidez.


Segundo as leis portuguesas as técnicas de PMA permitidas são: 

1) Inseminação artificial (com sémen do parceiro ou de dador)

2) Fertilização in vitro

3) Injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI)

4) Transferência de embriões, gâmetas ou zigotos

5) Diagnóstico genético pré-implantação

6) Outras técnicas laboratoriais de manipulação gamética ou embrionária equivalentes ou subsidiárias


Em Portugal apenas podem recorrer a tratamentos de PMA pessoas de sexo oposto casadas ou que vivam em união de facto há pelo menos 2 anos. Estas mesmas técnicas são um método subsidiário e não alternativo de procriação pelo que apenas podem recorrer a elas casais com diagnóstico de infertilidade ou com risco de transmitirem alguma doença genética grave para a descendência ou alguma doença infecciosa.

Em Portugal é permitido os casais recorrerem à doação de gâmetas (ovócitos e espermatozóides) e de embriões. Não é permitido tratar mulheres solteiras nem a utilização de útero de substituição.

As leis de PMA variam de pais para pais, sendo o exemplo a nossa vizinha Espanha cuja lei é semelhante com exceção de que é permitido às mulheres solteiras recorrerem a estas técnicas.

#infertilidade, #transferenciaembriões, #fiv, #icsi





segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Quando transferir os embriões?

Uma das questões que os casais colocam durante os tratamentos de fertilidade é o tempo que os seus embriões vão ficar em laboratório até serem transferidos para a cavidade uterina ou até serem congelados (caso a transferência não possa ser realizada nesse ciclo).


Os resultados estatísticos demonstram que ao transferirmos embriões no estado de blastocisto estamos a aumentar as probabilidades de gravidez.

O número de dias que os embriões ficam em laboratório depende de vários fatores: 

1) Quantidade de embriões - se o casal tiver muitos embriões em laboratório poderá ser vantajoso fazer uma cultura dos seus embriões para que seja possível fazer uma melhor seleção dos embriões em função da qualidade e desenvolvimento embrionário. Por outro lado, se o casal tiver poucos embriões em laboratório, poderá preferir transferir-los o quanto antes para evitar que algum deles pare o crescimento; 

2)  Qualidade dos embriões - se um casal tiver vários embriões de boa qualidade será uma boa opção deixar evoluir estes embriões durante mais uns dias em laboratório para que seja mais fácil escolher os melhores para transferir para a mulher;

3) Nº de ciclos realizados - para um casal que tenha realizado vários tratamentos de PMA sem conseguir gravidez poderá ser importante analisar em que dia de desenvolvimento embrionário foram transferidos os seus embriões, e tentar optar por realizar um ciclo novo mudando o dia em que os embriões são transferidos para a mulher; 

4) Realização de diagnóstico Pré -implantacional - nestas situações como os resultados dos testes demoram pelo menos um dia e meio é necessário deixar os embriões em cultura durante alguns dias.
Em resumo, as taxas de gravidez são mais altas quando se transferem embriões em estadios de desenvolvimento mais avançados (idealmente no estadio de blastocisto) contudo, por vezes é arriscado deixar os embriões em cultura no laboratório pois eles podem não sobreviver.

Se estão a pensar realizar um tratamento de fertilidade conversem com o vosso médico sobre a possibilidade de deixar os vossos embriões mais uns dias em laboratório. 
Boa sorte!

#blastocistos, #gravidez, #transferenciaembrioes

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A doação de embriões

Em qualquer tratamento de fecundação in vitro, é feita a administração de hormonas na mulher de modo a estimular os ovários a produzirem vários ovócitos. Em média são obtidos entre 10 a 15 ovócitos que depois são fertilizados. O(s) embriões de melhor qualidade são transferidos para a cavidade uterina e os embriões excedentários de boa qualidade são congelados. Em geral, podemos dizer que em cerca de 50% dos ciclos de fecundação in vitro são congelados embriões. A grande vantagem da congelação desses embriões é que permite otimizar o tratamento de fecundação in vitro, pois caso a primeira transferência de embriões não dê origem a gravidez, o casal ainda tem embriões para transferir numa próxima tentativa, não necessitando a mulher de estimular novamente os seus ovários. Ou seja, a taxa de gravidez por tratamento aumenta muito com o simples facto de existirem embriões congelados.

Mas e o que acontece aos embriões congelados caso o casal consiga obter gravidez numa primeira transferência de embriões e caso não pretenda ter mais filhos ?

Segundo a lei portuguesa, existem 3 destinos possíveis para os embriões congelados:
1)  doação para outros casais inférteis
2 ) doação para investigação
3)  eliminação

Se quiserem consultar o consentimento informado sobre congelação de embriões façam-no aqui.

Antes de qualquer tratamento o casal deverá informar o centro de procriação medicamente assistida qual o destino quer dar aos seus embriões. E, no caso de mudar de opinião deverá informar o centro que pretende revogar o consentimento e deverá assinar um consentimento novo.

Penso que a doação de embriões a outros casais é algo muito pessoal e que cada casal deverá escolher esta opção apenas se sentir "confortável" com ela. No entanto achei importante vir aqui dizer-vos que infelizmente há muitos casais em lista de espera para receberem embriões doados pois são poucos os casais que aceitam doar os seus embriões.

Ao doar embriões estão a ajudar outros casais a realizarem o sonho de serem pais. Pensem nisto!


#doaçãoembriões, #congelaçãoembriões, #embriõescongelados

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

RESUMO DE UM TRATAMENTO DE FECUNDAÇÃO IN VITRO

Nos últimos dias recebi vários emails com dúvidas sobre as etapas dos tratamentos de fecundação in vitro (FIV) e por essa razão hoje resolvi fazer um resumo com a sequência dos passos para a realização de um tratamento:

1) 1ª CONSULTA MÉDICA
Durante esta consulta o médico deverá recolher toda a informação clínica do casal. Deverá fazer um exame físico da mulher, consultar os exames prévios do casal e/ou solicitar a realização de alguns exames (exemplo espermograma). 

2) CONSULTA PARA DEFINIR O TRATAMENTO
Com os resultados dos exames pedidos o médico deverá aconselhar o tratamento que melhor se adequa ao casal. É geralmente nesta consulta que o médico define qual o plano para a estimulação dos ovários.

3) PLANO DE ESTIMULAÇÃO OVÁRICA
O objetivo da estimulação dos ovários é a obtenção de um número de ovócitos em quantidade suficiente que permita obter embriões de boa qualidade para transferir para cavidade uterina e assim aumentar as probabilidades de gravidez. Por essa razão, é muito importante a mulher seguir rigorosamente as instruções médicas nesta fase do tratamento. Antes de iniciar a estimulação o médico poderá sugerir que a mulher tome a pílula durante alguns dias ou que faça a administração de um agonista da hormona libertadora de gonadotrofinas GnRH  (para bloquear os estímulos da hipófise) e assim evitar o desenvolvimento de folículos antes do início da estimulação.

4) CONSULTA PARA AVALIAÇÃO DOS OVÁRIOS
Nesta consulta o médico deverá confirmar que os ovários estão em repouso (isto é que não têm folículos a crescer) e que a mulher pode iniciar a estimulação

5) ESTIMULAÇÃO DOS OVÁRIOS E ACOMPANHAMENTO MÉDICO
A mulher deverá administrar a medicação prescrita pelo médico para estimular os ovários. Ao longo deste processo (o nº de dias é variável, em média a estimulação dura 12 dias), a mulher deverá fazer várias ecografias para monitorizar o crescimento dos folículos e fazer análises de sangue.

6) INDUÇÃO DA OVULAÇÃO

7) PUNÇÃO FOLICULAR

8) INSEMINAÇÃO DOS OVÓCITOS (FIV E OU ICSI)

9) DESENVOLVIMENTO DOS EMBRIÕES EM LABORATÓRIO
Os embriões resultantes da fertilização dos ovócitos ficarão em laboratório afim de serem selecionados os de melhor qualidade para serem transferidos para a cavidade uterina. Geralmente são transferidos 1 ou 2 embriões.

10) TRANSFERÊNCIA DOS EMBRIÕES 

11) CONGELAÇÃO DOS EMBRIÕES EXCEDENTES DE BOA QUALIDADE

12) TESTE DE GRAVIDEZ

13) ECOGRAFIAS GESTACIONAIS
Após a confirmação da gravidez é geralmente programada uma ecografia passado 10 dias para comprovar a presença de um saco gestacional. Se estiver tudo bem, o médico deverá programar nova ecografia para comprovar a presença de batimentos cardíacos no embrião.

Espero que tenham ficado esclarecidos!
Boa Sorte!!!




#infertilidade, #tratamentosfertilidade


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Nova lei para adoção: para quando?

Muitos dos casais que não conseguem ter sucesso nos tratamentos de Procriação Medicamente Assistida optam por adotar uma criança. Infelizmente as listas de espera para adoção em Portugal são longas e o processo além de complexo pode demorar alguns anos.

Parece que esta situação vai mudar! Hoje foi publicada a notícia de que o governo estaria a preparar nova lei para que os processos de adoção sejam mais rápidos e não demorem mais do que um ano. O ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social propõe a criação de uma só lei resultante da compilação legislativa do processo de adoção.




Segundo o ministro será feita uma compilação legislativa do processo de adoção numa só lei que seja mais clara e que permita maior rapidez nos procedimentos. Se assim fosse seria um grande avanço para todos, principalmente para as crianças que acabam por ficar sem uma família por mais tempo! Ficamos a aguardar mudança!


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Dia Mundial da Alimentação

Hoje celebra-se o dia mundial da Alimentação. Esta comemoração tem como objetivos a reflexão sobre a alimentação e a reflexão sobre a fome mundial. Neste dia pretende-se sensibilizar as pessoas de que devemos todos tentar fazer uma alimentação equilibrada escolhendo de forma cuidada os alimentos e tentar consumi-los nas quantidades corretas pois só assim estamos a proporcionar um desenvolvimento saudável do nosso corpo. Neste dia devemos refletir sobre o desperdícios de alimentos e sobre a quantidade de pessoas que não tem o que comer.

Atualmente vivemos numa grande agitação e os hábitos de vida sofreram uma grande mudança. Como resultado passamos a descuidar mais a nossa alimentação e deixamos de praticar tanto exercício físico. Como resultado tem-se observado um aumento da obesidade e com ela o desenvolvimento de outras doenças graves (tais como problemas cadiovasculares, diabetes, colesterol, hipertensão, etc). Os números são sobretudo mais impressionantes no que respeita as crianças.

De acordo com estudos recentes da Organização Mundial de Saúde, em Portugal, uma em cada três crianças tem excesso de peso ou obesidade infantil e segundo a dados revelados pela Comissão Europeia, Portugal está entre os países europeus com maior número de crianças afetadas por esta epidemia: 29% das crianças entre 2 e 5 anos têm excesso de peso e 12,5% são obesas. Na faixa etária dos 6 aos 8 anos, os valores ainda são mais elevados, encontrando-se 32% de crianças com excesso de peso e 13,9% com obesidade.

Deixo-vos um vídeo da Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI). Este vídeo sensibilizou-me. Sou mãe e estou consciente da grande mudança dos hábitos de vida das nossas crianças. Ainda sou do tempo em que só existiam dois canais de televisão e em que as crianças brincavam na rua... hoje os estímulos dos diversos canais televisivos são inúmeros e temos que lutar para que as crianças não fiquem hipnotizadas em frente ao ecrãn. Os efeitos do marketing em promover determinados alimentos também não ajudam a promover uma alimentação saudável das crianças.



Fiquei também deveras impressionada com os dados sobre a quantidade de alimentos que são desperdiçados no nosso pais. Aproximadamente  30% dos produtos hortofrutícolas próprios para consumo são desperdiçados e cerca de 17% do que é produzido em Portugal, vai para o lixo ou seja, o equivalente a um milhão de toneladas de alimentos por ano! É necessário começarmos a fazer uma gestão mais eficaz do que consumimos, a começar pela gestão do nosso frigorífico e despensa. Devemos evitar o consumo descontrolado de produtos, comprar produtos da época e ter em atenção aos prazos de validade. Todos juntos podemos ajudar a um mundo melhor!



Empresas patrocinam a congelação de ovócitos

Foi publicada recentemente a notícia de que a Apple e o Facebook (empresas americanas sediadas em Sillicon Valley, Califórnia) iriam incluir nos seguros de saúde das suas funcionárias a opção de congelação de ovócitos. Segundo a NBC News estas duas empresas oferecem pagar até 20 mil dolares (aproximadamente 16 mil euros) para que as suas funcionárias possam congelar os seus óvulos, e deste modo possam adiar o projeto de maternidade por uns anos.

De facto duas das principais razões que levam a que as mulheres tenham filhos mais tarde são precisamente a entrada tardia no mundo laboral e o alcance tardio de estabilidade económica. Ao permitir a congelação dos ovócitos, estas duas empresas querem de alguma forma compensar as suas funcionárias que se dedicam às suas carreiras e permitir que estas não se vejam mais tarde com dificuldades para engravidar. Na altura em que estas mulheres desejarem ter filhos, e em caso de necessidade, ou seja, caso não consigam engravidar espontaneamente, elas poderão utilizar os seus ovócitos que foram congelados quando elas eram mais jovens.

A congelação dos ovócitos não é garantia de gravidez, depende de inúmeros fatores entre eles da qualidade dos ovócitos que foram congelados. Idealmente deve ser feita até aos 35 anos, altura a partir da qual a qualidade dos gâmetas começa a decair.
Para mais informações leiam aqui.

Achei que este ato já demonstra alguma preocupação e sensibilidade por parte das empresas para as dificuldades que as mulheres de hoje em dia sentem quando pretendem constituir família.

O lado positivo desta ação é o de apoiar as futuras famílias e permitir às colaboradoras preservar a sua fertilidade por mais uns anos. No entanto, esta ação também pode ter um lado perverso caso estas empresas não apoiem da mesma forma as mulheres que queiram ter filhos em idades mais jovens. Neste caso, outros benefícios poderiam ter sido concedidos a estas colaboradoras como seria a flexibilidade de horários.

p.s - Sabiam que o criador do Facebook Mark Zuckerberg, doou 25 milhões de euros à CDC Foundation para a luta contra o ébola? Este mundo está realmente a mudar...

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Mês da prevenção do cancro da mama

O mês de outubro é o mês da prevenção do cancro da mama. Este tipo de cancro é o mais comum (sem contar com o cancro de pele) na mulher e é também a segunda causa de morte na mulher. Sabe-se atualmente que 1 em cada 10 mulheres vai sofrer de cancro da mama antes dos 80 anos.

Não são conhecidas as causas específicas que conduzem a este tipo de cancro, no entanto sabe-se que existem alguns fatores de risco que aumentam a probabilidade de uma mulher vir a sofrer este tipo de doença. A liga portuguesa contra o cancro alerta para os seguintes fatores de risco:

- Idade (a partir dos 60 anos a probabilidade aumenta);
- Mulheres que já tiveram cancro numa mama apresentam maior risco de vir a tê-lo na outra mama;
- Existência de familiares com cancro da mama (a pesar de que apenas 5 a 10% dos cancros da mama são hereditários, a presença de familiares com este tipo de doença aumenta o risco);
- Primeira gravidez depois dos 31 anos;
- Mulheres com puberdade precoce, menopausa tardia (depois dos 55 anos) e que nunca tiveram filhos apresentam um risco maior;
- Mulheres caucasianas (raça branca) apresentam maior risco do que as mulheres asiáticas, negras ou latinas;
Mulheres sedentárias;
- Mulheres obesas;
- Mulheres que realizaram terapêutica hormonal para a menopausa durante um período prolongado (mais do que 5 anos);


DETEÇÃO

É importante que informe o seu médico caso pense que apresenta factores de risco para o aparecimento desta doença. Pergunte-lhe como deve fazer um auto-exame e qual a frequência com que deve fazer os exames diagnósticos.

Para mais informações consulte o seu médico e veja os sites da Liga Portuguesa Contra o Cancro e da Associação Laço.



terça-feira, 14 de outubro de 2014

Tão longe e tão perto: os efeitos da nova tecnologia!

Há muito que penso que a tecnologia móvel está a dominar os nossos dias, para o bem e para o mal. De facto com um simples telemóvel podemos falar com os amigos que estão longe, podemos partilhar fotos do momento, videos e inclusive existem aplicações que nos permitem falar e ver as pessoas à distância. A chegada dos telemóveis e dos novos meios de comunicação (tablets, computadores, etc) veio permitir aproximar as pessoas que estão longe. Os telemóveis são também as nossas agendas telefónicas, as nossas agendas pessoais, as nossas máquinas de fotos, videos, gravadores de voz, enfim... são a nossa caixa de correio pessoal! O que é certo é que já não podemos passar sem eles! Mas infelizmente são também os nossos maiores inimigos. São aqueles que nos desconcentram quando estamos a trabalhar pois não param de apitar a avisar da chegada de uma nova mensagem, aqueles que tocam nos momentos menos oportunos, são aqueles que nos roubam intimidade.... e sobretudo, são aqueles que nos afastam das pessoas que nos são próximas. 



Fonte: creative commons
Vi um artigo no jornal "público" e quis partilhar convosco aqui. Acho importante que todos o leiam! 
Os telemóveis permitem-nos comunicar com diversas pessoas no mesmo instante, mas afastam-nos das pessoas que estão fisicamente ao pé de nós! Pensem nisto!
Tenham um ótimo dia!

Fonte: creative commons

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Novas medidas de apoio à infertilidade em Coimbra e Lisboa

Uma das preocupações dos nossos governantes tem sido a diminuição da natalidade em Portugal. A situação é grave e pede medidas urgentes. O nosso país está a perder população e prevê-se uma redução drástica nas próximas décadas. A situação é de tal forma assustadora que se fala numa previsão de 6,3 milhões de habitantes para o ano 2060 caso o cenário da natalidade e da migração continuem em "baixa".  Atualmente somos o país da europa com menos nados vivos por mulher em idade fértil. Este número tem vindo a descer desde o início dos anos 80, nessa altura o ISF - índice sintétido de fecundidade - nº nados vivos/ mulher durante o período fértil era de 2,0. Atualmente o ISF de Portugal situa-se nos 1,2!


boa notícia é que em Portugal a fecundidade desejada é de 2,3 filhos! Na verdade a maioria das pessoas, independentemente da situação conjugal, do nível de escolaridade, ou da condição perante o trabalho deseja ter pelo menos 2 filhos! Estes dados foram obtidos através do inquérito à natalidade realizado em 2013 e do qual falei anteriormente aqui.

O que é certo é que há pouco tempo países da UE também estavam com valores baixos de natalidade e conseguiram inverter esse decréscimo da natalidade. Como o fizeram? Quais as medidas tomadas? É certo que tem que haver uma conjugação de inúmeros fatores para proporcionar aos casais condições aceitáveis para criar família.

Em abril deste ano o primeiro ministro nomeou uma Comissão de trabalho (independente do seu partido político) para elaborar um conjunto de propostas de incentivo à natalidade. No final o grupo elaborou um relatório "Por um Portugal amigo das crianças, da família e da natalidade 2015-2035"

Fonte: jornal Sol 

Achei o relatório muito interessante e completo pois analisa também as medidas tomadas para incentivar a natalidade nos países com maior crescimento demográfico. Vale a pena dar uma olhadela e ver como os outros países da UE apoiam as famílias valorizando a flexibilidade no trabalho, aumento de subsídios, etc. No final deste relatório, foram definidas 29 medidas, distribuídas por várias áreas de atuação: incentivo fiscal, emprego, educação, saúde e solidariedade.

Na área da infertilidade, as medidas propostas foram:
- aumento da comparticipação dos medicamentos de 69 para 100%  (este aumento pode chegar aos 500 euros);
- melhorar a capacidade de resposta dos centros de PMA (procriação medicamente assistida);
- aumentar a idade limite das mulheres que podem recorrer a técnicas de PMA para os 42 anos.

Recentemente o ministro da saúde veio dizer que foi acordado o aumento de ciclos de PMA para Coimbra e para Lisboa e que estão neste momento em fase de negociações com os centros hospitalares. Relativamente ao aumento da idade limite da mulher para realizar estes tratamentos,  a proposta ainda está a ser estudada e foi pedido um parecer ao CNPMA (comissão nacional para a procriação medicamente assistida).

Só nos resta aguardar e ver quais os frutos deste relatório! Esperemos que os nossos governantes não deixem a questão adormecer!


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

A importância da congelação de embriões e gâmetas

Desde o nascimento de Louise Brown em 1978 (primeiro bebé que nasceu com recurso às técnicas de reprodução in vitro) que a medicina da reprodução tem evoluído muito. Para mim, uma das maiores conquistas tem sido a técnica da congelação de embriões e de gâmetas (ovócitos e espermatozóides).

Banco de armazenamento de material biológico.

A congelação do material biológico permite a qualquer indivíduo ou casal aumentar as suas probabilidades de gravidez no futuro. Como já referi num artigo passado, existem vários métodos para congelar o material biológico e o grande avanço destas técnicas foi o aumento das taxas de sobrevivência do material biológico após descongelação.

E porque é importante a congelação? Primeiro porque na maioria dos ciclos de reprodução assistida são criados embriões excedentários (embriões que não são transferidos para a cavidade uterina). Ao congelarmos esses embriões, estamos a permitir aos casais utilizarem os mesmos em novas tentativas de gravidez, aumentando assim as probabilidades de gravidez por tratamento. A congelação de gâmetas também é uma ferramenta valiosíssima pois permite que um indivíduo congele os seus ovócitos ou espermatozóides enquanto jovem para mais tarde os utilizar.

É do conhecimento de todos que a idade em que os casais têm o primeiro filho está a aumentar. Se na década de 70 a mulher tinha o primeiro filho aos 23 anos, hoje em dia a maioria das mulheres não tem filhos antes dos 30 anos (Fontes/Entidades: INE, PORDATA, dados de 30/04/2014). Ou seja houve um atraso de 7 anos. Este facto deve-se à entrada tardia dos jovens no mercado de trabalho (mais concretamente pelo aumento do nível de estudos das mulheres), e na independência económica tardia que os leva a demorar mais tempo até encontrarem as condições propícias para terem descendência. Este atraso na maternidade tem sido uma das razões pelas quais hoje em dia há um aumento do número de casais a procurar ajuda para conseguir engravidar.

Como já referi anteriormente, a capacidade reprodutora da mulher começa a diminuir por volta dos 35 anos. Fundamentalmente porque a qualidade dos ovócitos piora e a reserva ovárica diminui. Por essa razão, a técnica de congelação de ovócitos poderá ser importante para todas as mulheres que se vejam obrigadas a adiar o seu projeto de maternidade pois permite guardar os seus ovócitos enquanto jovens e utiliza-los mais tarde.

Ao congelar os seus ovócitos antes dos 35 anos, a mulher vai preservar a sua fertilidade. Mas atenção que a congelação não garante que a mulher consiga engravidar no futuro! Vai depender entre outras coisas da qualidade que os ovócitos tinham quando foram congelados.

A congelação dos gâmetas é também muito importante para aqueles indivíduos que tem uma doença oncológica e que se vão submeter a tratamentos de quimioterapia e radioterapia. Sabemos hoje que estes tratamentos vão comprometer a fertilidade dos indivíduos pelo que é aconselhável congelar os gâmetas antes de iniciarem os tratamentos oncológicos. Se quiserem ler mais acerca deste assunto vejam aqui.

Tenham um ótimo fim de semana!

#congelacaoembrioes, #vitrificacao, #vitrificacaoembrioes




quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Perda de sangue = teste de gravidez negativo??

Continuo a observar casais que se submetem a tratamentos de procriação medicamente assistida e depois resolvem deixar a toda a medicação sem consultar o médico porque pensam que o tratamento não resultou. Uma vez mais venho insistir neste tema mas o meu objetivo é mesmo sensibilizar-vos para que façam o teste de gravidez! Caso comecem a sangrar antes da realização do teste de gravidez POR FAVOR consultem o vosso médico! Perguntem se é possível realizar o teste um dia antes, ou inclusive se valerá a pena aumentar ligeiramente a dose de progesterona que estão a administrar. Só ele vos pode dar as instruções adequadas!

Foto: cuadernoderetazos

E porquê o meu alerta? Porque sei de casos de senhoras que deixaram de administrar a medicação prescrita sem consultarem o médico apenas porque perderam sangue e entenderam que estavam a menstruar. Pois estavam enganadas! Provavelmente tiveram um desiquilíbrio hormonal e de facto algumas dessas mulheres (poucas) estavam grávidas e acabaram por abortar....

A ocorrência de pequenas perdas de sangue no início da gravidez é algo comum. De facto uma em cada cinco mulheres sofre pequenas perdas de sangue e a maioria das vezes nestas pequenas perdas não têm qualquer importância. No entanto é fundamental que informem o médico assistente para que ele possa avaliar qual a possível causa.

Uma vez mais venho referir a importância da realização do teste de gravidez e dizer-vos que leiam aqui o artigo que escrevi sobre este assunto no passado.

"O teste de gravidez: fazer ou não?" a decisão é sua ...  mas depois não diga que eu não avisei!

#testegravidez





segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Primeiro bebé nascido de uma mulher com útero transplantado

Mais um grande avanço na área da medicina da reprodução: uma mulher com 36 anos deu à luz o primeiro bebé nascido de um útero transplantado.

Esta mulher que tinha nascido sem útero devido a uma anomalia congénita do aparelho reprodutor feminino (Síndrome de Rokitansky) recebeu num hospital de Gothenberg na Suécia (Hospital Universitário de Sahlgrenska) o útero de uma amiga da família de 61 anos. A dadora que ainda é viva, tinha entrado na menopausa há 7 anos atrás e tinha sido mãe aos 26 e aos 29 anos de idade, os seus partos foram vaginais e ambos terminaram às 41 semanas.

Depois do transplante, a mulher teve a primeira menstruação após 43 dias e a partir dai começou a ter menstruações regulares com intervalos de 32 dias.

Os ciclos de fertilização in vitro tinham sido realizados entre 18 e 6 meses antes do transplante, utilizando a técnica de ICSI e os embriões resultantes foram congelados. Passado 1 ano após o transplante, foi programada a transferência de 1 embrião num ciclo natural da mulher (a equipa médica não quis arriscar uma gravidez gemelar). Foram descongelados 3 embriões mas apenas 1 tinha qualidade para ser transferido (tinha sido congelado com 4 células e 3 células tinham sobrevivido à descongelação). A probabilidade de gravidez estimada pela equipa médica para aquele tratamento era de 16% mas o milagre aconteceu e passada 3 semanas o resultado do teste de gravidez foi positivo!

A gravidez decorreu de forma normal até às 31 semanas. Os parâmetros obstétricos estavam dentro da normalidade e por essa razão a mulher pôde trabalhar até à véspera do parto. Quando cumpriu as 31 semanas e 5 dias, a mulher foi internada no Hospital com pré-eclampsia  apresentando uma pressão arterial de 180/120 mm Hg, ligeiras dores de cabeça e proteinúria. 16 horas após ter dado entrada no hospital foi realizada cesariana e nasceu um rapaz com 1775 g, 40 cm e um índice de APGAR de 9, 9 e 10.
Hoje sabemos que o bebé nascido em setembro e a sua mãe se encontram em perfeito estado de saúde.

Primeiro bebé nascido após transplante de útero. Fonte: The lancet. 


Em 1978 recebemos a notícia do nascimento de Louise Brown, a primeira bebé nascida com a ajuda das técnicas de fertilização in vitro. Desde então tem sido feitos inúmeros progressos na área da medicina da reprodução e muitas são as causas de infertilidade que hoje em dia podem ser tratadas. Contudo, o fator uterino grave, neste caso, a ausência de útero continuava a ser um obstáculo importante nesta área. As mulheres nestas condições apenas podiam ter filhos biológicos se recorressem a úteros de "aluguer". Este acontecimento veio demonstrar que o transplante de útero é possível e funciona. Resta agora saber qual a eficácia deste tipo de tratamento e quais os seus riscos e se este procedimento pode ser a solução para as mulheres com problemas uterinos graves.

Para mais leituras deixo-vos aqui o artigo publicado na revista britânica The lancet.



sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Embriões do tamanho de uma maçã!

Recentemente foi publicada uma notícia sobre a nova técnica de impressão de embriões a 3D.

O grupo do Prof. Samir Hamamah,do centro de reprodução in vitro do Hospital Universitário de Montpellier (França) desenvolveu um sistema para monitorizar e imprimir um molde 3D (tridimensional) de um embrião humano. A razão de ser desta técnica recentemente patenteada deve-se à falta de informação dada pelos microscópios óticos que apenas permitem a visualização de um único plano de imagens dos embriões. De acordo com os investigadores, com o auxilio deste molde será mais fácil para os clínicos escolherem os melhores embriões para transferir para a cavidade uterina.


Com esta nova tecnologia é possível tirar fotos dos vários planos dos embriões que depois são geridas por um programa de software que permite reconstruir e imprimir um modelo 3D do embrião. De acordo com o Prof. Samir Hamamah, este modelo que tem o tamanho de uma maçã, acaba por ter muito mais informação acerca do embrião pelo se espera que no futuro permita aumentar as taxas de gravidez e implantação dos tratamentos. Será mesmo assim? Vamos aguardar para ver...  pelo menos os modelos são muito bonitos!


Fig 1 - O modelo criado por computador.



Fig 2 - O modelo criado por computador.




Fig. 3- o modelo final impresso.



quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Mãe eu sou adotada?

Adoro tirar fotografias. Adoro os contrastes de cores, as formas e sobretudo adoro captar os momentos para mais tarde poder recorda-los. Por essa razão tenho muitas fotos. Ainda recordo quando me ofereceram a primeira máquina fotográfica. Fiquei radiante e ao mesmo tempo com um dilema importante. Os rolos iniciais eram de 12 fotos, mais tarde passámos para 24, mas ainda assim, para mim sempre foi muito difícil gerir o que queria fotografar. Pois além da limitação do número de fotos, cada vez que tinha que ir revelar um rolo fotográfico lá se iam as minhas mesadas.


Fonte: creative commons


Quando surgiu a fotografia digital foi uma alegria. Comecei a tirar fotos de tudo e de todos até que me aborreci por não ter limites. Podia tirar as fotos que queria e não era necessário imprimi-las.

Nas vésperas da minha filha mais velha nascer resolvemos comprar uma boa câmara para podermos registar a evolução gradual que ela ia tendo. Até comprei um livro para colar as fotos e fazer um álbum sobre ela. Mês a mês deliciava-me a recordar as fotos no computador (como se já tivesse passado muito tempo!) e a fazer a seleção das melhores para enviar para os avós mas confesso que fui deixando o álbum por fazer. Esquecido ficou até ao dia de ontem em que a minha filha me perguntou do nada: “mãe eu sou adotada?”. Eu que estava a terminar de lavar a louça, girei-me de repente, tentando parecer calma e lhe disse “não, tu não és adotada, mas porque é que me fazes essa pergunta?”. Naquele instante passaram pela minha cabeça uma série de questões mas quando me diz “ porque nunca me mostraste uma fotografia tua comigo na barriga” fiquei paralisada. Tinha razão. Tinha toda a razão! É claro que já lhe mostrei uma fotografia minha grávida, mas o facto de não ter imprimido essa fotografia e de não lha mostrar com alguma frequência ela terminou por esquecer.

Este é o único senão que encontro na nova era digital de fotos. Tiramos tantas fotos que se torna difícil por vezes escolher as melhores e na maioria das vezes nos esquecemo-nos ou pensamos que não é importante imprimi-las. No final, acabamos por encher o computador com fotos e acabamos por não saber onde encontra-las!

Hoje dei por mim a organizar as fotos que tenho no computador e deixo-vos aqui uma dica para fazerem o mesmo com as vossas (acredito que sejam poucos aqueles que têm as fotos todas organizadas ... confessem! ).

A forma mais simples para organizar as fotos é tentar descarrega-las da câmara fotográfica ou do computador no final do mês. No computador devemos criar uma pasta com o ano, e dentro de cada ano, várias subpastas com o mês. Em determinados meses criei também algumas subpastas com o título dos acontecimentos que fotografei (anos da B, anos do M.). Dá muito trabalho mas confesso fica muito mais fácil para encontrar as fotos!

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Telemóvel e infertilidade masculina. Qual a relação?

Como sabem hoje em dia já não somos capazes de viver sem um telemóvel. Este pequeno objecto apareceu em Portugal no final da década de 80 (no Brasil em 1990) e desde então já tem milhões de utilizadores (um dado curioso: o Brasil é o quarto pais do Mundo com mais utilizadores de telemóvel). Dado que os telemóveis produzem radiação electromagnética na gama das rádio frequências (RF- EMR) e dado que são amplamente utilizados por milhões de pessoas em todo o mundo, tem sido uma das preocupações da OMS (organização mundial de saúde) averiguar os possíveis efeitos adversos destes aparelhos para a saúde humana.

A corrente oscilatória e as transferências de energia produzidas pelas radiações do telemóvel podem conduzir a um aquecimento rápido que poderá influenciar a qualidade espermática. Mas não só, há outro tipo de interações que não dependem da temperatura e que podem alterar a estrutura das proteínas e aumentar o stress oxidativo e consequentemente produzir danos no DNA espermático.

Imagem: televicentro
Recentemente foi publicada uma revisão bibliográfica dos ensaios clínicos realizados entre 2000 e 2012 sobre os efeitos adversos dos telemóveis na fertilidade masculina. Este estudo realizado pela equipa da Dra. Fiona Mathews da Universidade de Exeter compilou e analisou os dados de 10 estudos científicos independentes publicados por centros de fertilidade e centros de investigação. O número total de amostras seminais foi de 1492 e os parâmetros seminais analisados foram a concentração espermática, a mobilidade e a vitalidade.

Os resultados destes estudos foram concordantes de que a exposição aos telefones móveis reduz a mobilidade espermática (aproximadamente em 8%) e a vitalidade dos espermatozóides (aproximadamente 9,1%). Contudo, os resultados desses estudos no que respeita às variações da concentração espermática não foram conclusivos. Existem dados que concluem que a concentração espermática é também alterada mas existem também dados contraditórios pelo que será necessário realizar mais estudos para tirar alguma conclusão a esse respeito.

Uma vez que a maioria dos homens guarda os telemóveis no bolso das calças, ou seja, muito próximo dos órgãos reprodutores, pensa-se que o aquecimento que este aparelho provoca nos testículos poderá conduzir a alterações na espermatogénese (processo de formação e desenvolvimento de espermatozóides) e na produção de espermatozóides. Por outro lado, pensa-se que os efeitos provocados pelos telemóveis sejam mais relevantes em homens que apresentem alterações significativas nos espermogramas.

Este é mais um aviso de como o nosso dia a dia pode alterar a nossa saúde e neste caso concreto a fertilidade masculina. O meu conselho para aqueles homens que pretendem ser pais e que estão a fazer tratamentos de fertilidade, é que façam um esforço nos meses prévios aos tratamentos e não coloquem os telemóveis no bolso das calças!


Nota: as radiações produzidas pelos telemóveis são de baixa frequência e podem ser absorvidas pelo corpo humano. No entanto, estes aparelhos são fabricados de modo a que a taxa de absorção de radiação pelo corpo humano não seja suficiente para ionizar os átomos ou as moléculas. Contudo, e apesar do controlo legal destes aparelhos existem dados de que os telemóveis possam provocar dores de cabeça, aumento da pressão sanguínea e alterações das ondas cerebrais durante o sono.

#telemoveis; #telemovelinfertilidade, #efeitostelemovel, #OMS, #WHO #infertilidade

terça-feira, 30 de setembro de 2014

As Principais Causas de Infertilidade Feminina

Imagem: commdiginews.com

Para que ocorra uma gravidez espontânea todo o aparelho reprodutor feminino deverá estar a "funcionar" em boas condições.

Após o ato sexual, os espermatozódes libertados no sémen devem percorrer a cavidade uterina e chegar às Trompas de Falópio onde poderão fecundar o ovócito que foi expelido pelo ovário. Uma vez fecundado o embrião vai começar a viajar pela Trompa até chegar à cavidade uterina onde se deverá implantar a partir do sexto dia de vida.

O Aparelho reprodutor feminino é composto pelos órgãos genitais externos (pequenos e grandes lábios vaginais e pelo clitóris) e pelos órgãos internos (ovários, trompas de Falópio, útero e a vagina). Qualquer alteração num dos órgãos  pode conduzir à infertilidade da mulher.

Podemos agrupar as causas de infertilidade de origem feminina em vários grandes grupos:

DISTÚRBIOS OVULATÓRIOS
  • Síndrome do Ovário Poliquístico
  • Falência Ovárica
  • Alterações Hormonais

ALTERAÇÕES TUBÁRICAS 

ALTERAÇÕES DO ÚTERO E COLO
  • Miomas e pólipos
  • Infeção
FÁRMACOS E SUBSTÂNCIAS TÓXICAS
  • Tabaco, álcool e drogas pesadas
  • Quimioterapia e radioterapia
Em breve venho explicar cada uma destas alterações, como elas podem causar infertilidade e se é possível trata-las.

Se alguém está interessado que eu explique alguma destas alterações em primeiro lugar envie um email (sofianunes37@gmail.com) que terei todo o gosto em ajudar. 

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

O Teste de Recetividade Endometrial (ERA)

Quando após vários tratamentos de fertilidade, um casal não consegue engravidar, o médico especialista deve pedir novos exames ao casal para encontrar a causa que justifique a ausência de implantação dos embriões que foram transferidos. Infelizmente, dada a complexidade de todo o processo, nem sempre é fácil e rápido diagnosticar quais são essa(s) causa(s).

 As falhas de implantação podem ser devidas a diversos fatores como por exemplo a má qualidade dos embriões transferidos, a existência de anomalias genéticas desconhecidas nos embriões, a alterações uterinas (presença de miomas ou pólipos), entre outras, mas também podem ser explicadas por alterações na recetividade endometrial.

Sabemos que durante o ciclo menstrual da mulher (quer seja um ciclo espontâneo que seja um ciclo induzido com medicação), existe um período a que chamamos de janela de implantação. A janela de implantação (ver Fig 1) corresponde aos dias em que o endométrio (tecido que reveste o útero) se encontra recetivo aos embriões. Ou seja, é muito importante que a data da transferência dos embriões para a cavidade uterina seja feita tendo em conta a janela de implantação, caso contrário as probabilidades de engravidar são muitíssimo reduzidas pois os embriões não vão encontrar o ambiente com as condições adequadas.


Fig. 1: O período em que o endométrio está recetivo aos embriões (janela de implantação D) dura aproximadamente 4 dias e geralmente começa no vigésimo dia do ciclo menstrual até aproximamente ao vigésimo terceiro dia. 

Existe um exame diagnóstico - Estudo da Recetividade endometrial por Arrays (ERA) que pode ser muito útil para explicar as sucessivas falhas de implantação dos embriões. Este exame permite determinar para cada mulher qual a janela de implantação num determinado ciclo menstrual.

Em que é que consiste o ERA?

O ERA serve para avaliar do ponto de vista molecular se o endométrio da mulher está ou não recetivo. Consiste na realização de uma biopsia endometrial no dia sétimo dia após o pico da LH (caso seja um ciclo natural, i.e. um ciclo em que não foram administradas hormonas) ou no quinto dia após o início da progesterona caso seja um ciclo em que haja preparação endometrial (com administração de medicação).

A biopsia é um processo que causa um ligeiro desconforto mas cuja dor é geralmente suportável. Caso seja necessário pode ser administrada uma anestesia local para evitar mal estar da mulher.
O tecido endometrial vai para análise e é estudada num microarray a expressão de 238 genes que estão envolvidos na recetividade endometrial. Os dados são depois analisados por um programa informático e o resultado final indica se o endometrio está recetivo ou não.

Uma vez que os resultados confirmem que o endométrio é recetivo, a mulher deverá fazer a transferência dos embriões num ciclo menstrual com as condições exatamente idênticas às do ciclo cm que foi feita a análise.

Caso o resultado informe que o endométrio não era recetivo a mulher deverá fazer nova biopsia endometrial para determinar qual a janela de implantação.

Observou-se que 20% das mulheres têm janelas de implantação diferentes do habitual e com este tipo de teste diagnóstico foi possível determinar com mais certeza quais os dias indicados para transferir os embriões.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Infértil ou estéril?

Muitas vezes confunde-se infertilidade com esterilidade e estes conceitos acabam por ser utilizados nos dia a dia de forma arbitrária.

Diz-se que um indivíduo ou um casal é estéril quando não consegue engravidar após um ano de relações sexuais regulares e desprotegidas. A designação de infértil é dada aos casais que não conseguem levar a gravidez até ao final e ter um recém nascido saudável.

Para além destas duas designações, podemos também classificar a infertilidade e a esterilidade de primárias e secundárias.

Quando nos referimos a esterilidade primária e infertilidade primária estamos a falar de casais que nunca tiveram filhos.

Enquanto a designação de esterilidade e infertilidade secundárias se referem aqueles casais que já têm pelo menos um filho e que agora não conseguem engravidar.

Fonte: creative commons