quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Telemóvel e infertilidade masculina. Qual a relação?

Como sabem hoje em dia já não somos capazes de viver sem um telemóvel. Este pequeno objecto apareceu em Portugal no final da década de 80 (no Brasil em 1990) e desde então já tem milhões de utilizadores (um dado curioso: o Brasil é o quarto pais do Mundo com mais utilizadores de telemóvel). Dado que os telemóveis produzem radiação electromagnética na gama das rádio frequências (RF- EMR) e dado que são amplamente utilizados por milhões de pessoas em todo o mundo, tem sido uma das preocupações da OMS (organização mundial de saúde) averiguar os possíveis efeitos adversos destes aparelhos para a saúde humana.

A corrente oscilatória e as transferências de energia produzidas pelas radiações do telemóvel podem conduzir a um aquecimento rápido que poderá influenciar a qualidade espermática. Mas não só, há outro tipo de interações que não dependem da temperatura e que podem alterar a estrutura das proteínas e aumentar o stress oxidativo e consequentemente produzir danos no DNA espermático.

Imagem: televicentro
Recentemente foi publicada uma revisão bibliográfica dos ensaios clínicos realizados entre 2000 e 2012 sobre os efeitos adversos dos telemóveis na fertilidade masculina. Este estudo realizado pela equipa da Dra. Fiona Mathews da Universidade de Exeter compilou e analisou os dados de 10 estudos científicos independentes publicados por centros de fertilidade e centros de investigação. O número total de amostras seminais foi de 1492 e os parâmetros seminais analisados foram a concentração espermática, a mobilidade e a vitalidade.

Os resultados destes estudos foram concordantes de que a exposição aos telefones móveis reduz a mobilidade espermática (aproximadamente em 8%) e a vitalidade dos espermatozóides (aproximadamente 9,1%). Contudo, os resultados desses estudos no que respeita às variações da concentração espermática não foram conclusivos. Existem dados que concluem que a concentração espermática é também alterada mas existem também dados contraditórios pelo que será necessário realizar mais estudos para tirar alguma conclusão a esse respeito.

Uma vez que a maioria dos homens guarda os telemóveis no bolso das calças, ou seja, muito próximo dos órgãos reprodutores, pensa-se que o aquecimento que este aparelho provoca nos testículos poderá conduzir a alterações na espermatogénese (processo de formação e desenvolvimento de espermatozóides) e na produção de espermatozóides. Por outro lado, pensa-se que os efeitos provocados pelos telemóveis sejam mais relevantes em homens que apresentem alterações significativas nos espermogramas.

Este é mais um aviso de como o nosso dia a dia pode alterar a nossa saúde e neste caso concreto a fertilidade masculina. O meu conselho para aqueles homens que pretendem ser pais e que estão a fazer tratamentos de fertilidade, é que façam um esforço nos meses prévios aos tratamentos e não coloquem os telemóveis no bolso das calças!


Nota: as radiações produzidas pelos telemóveis são de baixa frequência e podem ser absorvidas pelo corpo humano. No entanto, estes aparelhos são fabricados de modo a que a taxa de absorção de radiação pelo corpo humano não seja suficiente para ionizar os átomos ou as moléculas. Contudo, e apesar do controlo legal destes aparelhos existem dados de que os telemóveis possam provocar dores de cabeça, aumento da pressão sanguínea e alterações das ondas cerebrais durante o sono.

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