segunda-feira, 29 de setembro de 2014

O Teste de Recetividade Endometrial (ERA)

Quando após vários tratamentos de fertilidade, um casal não consegue engravidar, o médico especialista deve pedir novos exames ao casal para encontrar a causa que justifique a ausência de implantação dos embriões que foram transferidos. Infelizmente, dada a complexidade de todo o processo, nem sempre é fácil e rápido diagnosticar quais são essa(s) causa(s).

 As falhas de implantação podem ser devidas a diversos fatores como por exemplo a má qualidade dos embriões transferidos, a existência de anomalias genéticas desconhecidas nos embriões, a alterações uterinas (presença de miomas ou pólipos), entre outras, mas também podem ser explicadas por alterações na recetividade endometrial.

Sabemos que durante o ciclo menstrual da mulher (quer seja um ciclo espontâneo que seja um ciclo induzido com medicação), existe um período a que chamamos de janela de implantação. A janela de implantação (ver Fig 1) corresponde aos dias em que o endométrio (tecido que reveste o útero) se encontra recetivo aos embriões. Ou seja, é muito importante que a data da transferência dos embriões para a cavidade uterina seja feita tendo em conta a janela de implantação, caso contrário as probabilidades de engravidar são muitíssimo reduzidas pois os embriões não vão encontrar o ambiente com as condições adequadas.


Fig. 1: O período em que o endométrio está recetivo aos embriões (janela de implantação D) dura aproximadamente 4 dias e geralmente começa no vigésimo dia do ciclo menstrual até aproximamente ao vigésimo terceiro dia. 

Existe um exame diagnóstico - Estudo da Recetividade endometrial por Arrays (ERA) que pode ser muito útil para explicar as sucessivas falhas de implantação dos embriões. Este exame permite determinar para cada mulher qual a janela de implantação num determinado ciclo menstrual.

Em que é que consiste o ERA?

O ERA serve para avaliar do ponto de vista molecular se o endométrio da mulher está ou não recetivo. Consiste na realização de uma biopsia endometrial no dia sétimo dia após o pico da LH (caso seja um ciclo natural, i.e. um ciclo em que não foram administradas hormonas) ou no quinto dia após o início da progesterona caso seja um ciclo em que haja preparação endometrial (com administração de medicação).

A biopsia é um processo que causa um ligeiro desconforto mas cuja dor é geralmente suportável. Caso seja necessário pode ser administrada uma anestesia local para evitar mal estar da mulher.
O tecido endometrial vai para análise e é estudada num microarray a expressão de 238 genes que estão envolvidos na recetividade endometrial. Os dados são depois analisados por um programa informático e o resultado final indica se o endometrio está recetivo ou não.

Uma vez que os resultados confirmem que o endométrio é recetivo, a mulher deverá fazer a transferência dos embriões num ciclo menstrual com as condições exatamente idênticas às do ciclo cm que foi feita a análise.

Caso o resultado informe que o endométrio não era recetivo a mulher deverá fazer nova biopsia endometrial para determinar qual a janela de implantação.

Observou-se que 20% das mulheres têm janelas de implantação diferentes do habitual e com este tipo de teste diagnóstico foi possível determinar com mais certeza quais os dias indicados para transferir os embriões.