sexta-feira, 14 de março de 2014

Será que a infertilidade é o preço que estamos a pagar por uma vida mais longa?

Vi um artigo no jornal “The guardian” que refere a existência de uma ligação entre longevidade e fertilidade. Achei interessante e resolvi partilhar as ideias principais.

No artigo, mencionam que uma redução numa hormona que controla o metabolismo (a IGF-1, insulin-like growth factor 1) aumenta a probabilidade de viver uma vida longa e saudável mas tem consequências no que toca à fertilidade.

Esta hormona, IGF-1, promove o crescimento dos tecidos desde a gestação até à infância, e contribui para o desenvolvimento do cérebro, crescimento de músculos e ossos e para a maturação sexual.
É durante a infância e a puberdade que apresentamos os níveis mais altos desta hormona.

Há já algumas décadas que se pensa que fertilidade e longevidade estão interligadas. A teoria avançada nos anos 70 era que o nosso corpo teria uma reserva limitada de energia, e que esta podia ser utilizada ou para reparar os nossos tecidos à medida que estes envelheciam ou poupada para que nos pudéssemos reproduzir.

Recentemente, estudos realizados em minhocas demonstraram que estas têm um mecanismo especial que lhes permite sobreviver ao stress ambiental: a diminuição da IGF-1 leva a que estes animais hibernem deixando de se poder reproduzir.

Da mesma forma foi descoberto que o mesmo tipo de hormona em mamíferos, permite controlar os gastos energéticos, permitindo a reparação celular (que evita por exemplo doenças como o cancro). Foi também observado que elevados níveis da mesma hormona em humanos conduz a um maior risco de desenvolver doença de Alzheimer.

O interessante é que os níveis desta hormona não são apenas uma herança genética, eles dependem também da nossa alimentação. E se pudéssemos influenciar os níveis de IGF-1 alterando a nossa dieta? É sabido que nos animais uma dieta pouco calórica aumenta a sua longevidade.

A questão é: estaria disposto a sacrificar a sua fertilidade para viver mais tempo? É uma pergunta difícil! Eu não saberia o que responder! E vocês?

Deixo-vos o link da notícia no The Guardian para o caso de quererem ler mais.